Arquivo de Outubro de 2009

Desmatamento Zero - entrevista com relator Dep Marcos Montes

Adicionar comentário 29 de Outubro de 2009 às 15:14 admin

Brasil e Canadá discutem exportações de carne

O 3º Comitê Consultivo Agrícola Brasil Canadá (CCA) começou a trabalhar nesta terça, dia 27, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), tendo na pauta o reconhecimento, pelos canadenses, de Santa Catarina como área livre de febre aftosa sem vacinação e as exportações de carne bovina in natura brasileira àquele país.

Outros temas de interesse na área do agronegócio também serão debatidos, até quarta, dia 28, pelos governos do Brasil e do Canadá.

– Temos uma agenda densa, alguns assuntos já foram tratados em outras reuniões e devem ser continuados e outros já foram resolvidos. Isso é sinal da importância de fazermos reuniões periódicas para repassar a agenda e avançar na solução de pendências – destacou o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Célio Porto.

Na opinião do embaixador canadense no Brasil, Paul Hunts, as reuniões do comitê são o exemplo da excelente colaboração entre os dois países no setor agropecuário.

– Esse é um instrumento que poderia ser usado em outras áreas, como saúde e tecnologia – afirmou.

O CCA com o Canadá foi instituído há três anos e algumas questões já foram resolvidas nesse período: a suspensão da exigência de visto consular para as exportações canadenses ao Brasil, os requisitos brasileiros de teste para doença de lentilhas, o sistema de certificação para as batatas do Canadá e o treinamento em farmacovigilância de produtos veterinários e de aditivos zootécnicos, realizado por técnicos dos dois países em dezembro de 2008.

Fonte: Canal Rural

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Crise? Marfrig lucra R$ 200 mi no trimestre

O frigorífico Marfrig teve lucro líquido de R$ 200,4 milhões no terceiro trimestre deste ano, ante um prejuízo de R$ 52,68 milhões no mesmo período do ano passado. A melhora de desempenho é creditada pela empresa ao aumento do volume exportado e à desvalorização do dólar perante o real. Apesar de ser exportadora, a Marfrig se beneficia do efeito do câmbio sobre sua dívida em moeda estrangeira.

Quase 75% do endividamento da companhia está em dólar. A desvalorização de 8,9% do dólar no trimestre produziu um efeito cambial positivo e ajudou a empresa a encerrar o período com resultado financeiro positivo de R$ 68,7 milhões.

A receita bruta da empresa cresceu 54,5% na comparação com o terceiro trimestre de 2008, para R$ 2,537 bilhões entre julho e setembro. Após impostos, a receita líquida ficou em R$ 2,402 bilhões, com avanço de 57,7% perante 2008.

O resultado da Marfrig medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 272,5 milhões no terceiro trimestre, com um salto de 59% sobre 2008. Esse resultado tem um impulso extraordinário vindo da incorporação de R$ 68,8 milhões em benefícios fiscais conseguidos no novo Refis (programa de parcelamento de débitos tributários). A margem Ebitda, que mede a relação entre esse indicador e a receita líquida, manteve-se estável em 11,3%.

Forte alta em 2010

Em seu comunicado ao mercado, o Marfrig prevê uma forte alta em seu faturamento para 2010.

Para 2010, a estimativa da empresa indica uma receita líquida de 16,5 bilhões a 18 bilhões de reais, com Ebitda de 1,4 bilhão a 1,8 bilhão de reais. Os investimentos previstos para o ano que vem somam 400 milhões de reais. A previsão de investimentos neste ano saltou de 220 milhões para 1,85 bilhão de reais.

Adicionar comentário 27 de Outubro de 2009 às 17:32 admin

MS: chilenos avaliam defesa sanitária do Estado

A missão chilena que vai avaliar o sistema pecuário de Mato Grosso do Sul já está, desde ontem à noite, em Campo Grande/MS e nesta manhã participa de apresentação técnica na Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), onde serão apresentadas as ações de controle sanitário desenvolvidas pelo órgão no Estado.

Retomar as exportações ao Chile é um dos principais objetivos do governo, diante dos bons preços pagos pelos importadores chilenos. Para isso será preciso convencer os técnicos de que o sistema produtivo cumpre as rigorosas exigências sanitárias daquele País.

A programação é que os chilenos visitem a agência da Iagro de Nova Andradina, propriedades rurais e postos de fiscalização em Nova Andradina e propriedades rurais de Dourados.

Na quarta-feira de manhã haverá visita à agência da Iagro e propriedades rurais de Naviraí e no período da tarde os técnicos visitam o escritório da Iagro e propriedades rurais de Amambaí.

A programação de quinta-feira contempla visita ao escritório da Iagro e propriedades rurais de Aral Moreira, de manhã e de tarde os técnicos seguem para Ponta Porã onde permanecem até sexta-feira e depois seguem para o Tocantins.

Segundo a secretária de Produção, Tereza Cristina Correa da Costa, em novembro uma nova missão chilena virá, desta vez para avaliar os frigoríficos.

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Código Florestal: Stephanes prepara novo texto de MP

Diante da indefinição do Planalto sobre o que fazer com a aproximação da data-limite para regularizar terras no país, o Ministério da Agricultura preparou uma proposta de medida provisória para afrouxar a legislação ambiental e anistiar uma parte dos desmatadores. Antes de chegar às mãos do presidente Lula, a proposta será apresentada à Casa Civil na semana que vem. O ministro Reinhold Stephanes tem pressa, pois, no dia 11 de dezembro, se nada for feito pelo governo, entrará em vigor o decreto presidencial que autoriza a punição aos proprietários que não estiverem cumprindo os limites de preservação e, na prática, põe muitos deles na ilegalidade.

Um motivo de apreensão no Planalto é a cúpula da ONU sobre o clima, na segunda e terceira semanas de dezembro. O governo teme chegar lá sob uma legislação ambiental indefinida ou menos restritiva -o que colocaria em xeque a iniciativa de apresentar propostas ousadas para a redução do desmatamento na Amazônia. Outro ponto é que, com a entrada em vigor do decreto, segundo alega Stephanes, das cerca de 4,3 milhões de pequenas e médias propriedades do país, ao menos 3 milhões ficariam em situação irregular, algo indesejável em ano eleitoral.

O governo tem duas opções: ampliar o prazo para a entrada em vigor desse decreto ou, como quer a Agricultura, editar logo a medida provisória e, com isso, indicar um caminho para as discussões no Congresso.

Na proposta da Agricultura há quatro eixos. O primeiro é isentar da exigência de formar reserva legal os pequenos e médios produtores: áreas com até 150 hectares ou até quatro módulos rurais (cerca de 400 hectares na Amazônia) - vale a maior. Pela lei atual (Código Florestal e uma MP de 2001), uma propriedade na região amazônica é obrigada a manter intacta 80% de sua área de floresta. No cerrado, o limite é de 35%, ante 20% no resto do país.

O segundo eixo da Agricultura propõe a inclusão das APPs (áreas de preservação permanente), como topos de morro, encostas e margens de rios, na área de reserva legal. Hoje um produtor na região amazônica é obrigado a preservar a APP e mais 80% da floresta dentro de sua área. Pela proposta, uma área de APP que corresponda a 50% da propriedade poderá ser somada a 30% da reserva legal. Outra proposta é que as plantações em uso e consolidadas nas propriedades sejam consideradas “definitivas” e “regularizadas”: quem desmatou no passado e usa topo de morros para plantar café não precisa abrir mão do cafezal para reflorestar esse pedaço de terra.

O quarto eixo é definir os “direitos adquiridos” dos produtores rurais: tudo o que foi feito (desmatamento) quando a lei permitia não pode ser revertido. Até 2001, por exemplo, a área de reserva legal em terras na Amazônia era de 50%.

A matéria é de Eduardo Scolese, publicada no jornal Folha de S.Paulo, adaptada e resumida pela Equipe AgriPoint.

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Brasil será a grande história de 2010, diz Financial Times

Um artigo publicado na edição desta terça-feira do jornal “Financial Times” afirma que “o Brasil é a potência do século 21 a se observar”.

Assinado pelo comentarista Michael Skapinker, o artigo compara duas visões antagônicas do país - uma negativa, na qual se sobressaem problemas de violência e desigualdade social, e uma positiva, que ressalta uma economia pujante e plena de recursos naturais.

Sem tomar partido por uma das visões, o comentarista diz que o país será “a grande história do próximo ano”. Os fundamentos de sua avaliação foram apresentados por ele em um recente encontro que reuniu jornalistas de diferentes publicações internacionais.

- O Brasil acabava de passar por uma crise financeira em boa forma. O país estava sentado em uma vasta descoberta de petróleo em alto mar. Havia testemunhado a maior abertura de capital do mercado neste ano - os US$ 8 bilhões colocados em bolsa pelo braço brasileiro do Santander. Seria também a sede de dois dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Para Skapinker, o outro lado da moeda seria a violência. “Não pude esconder certa palpitação em relação às desvantagens conhecidas do Brasil”, diz ele, citandorelatos e notícias de furtos, assaltos à mão armada a sequestros.

- Não vi nada disso - diz o comentarista, que recentemente fez sua primeira visita ao Brasil. Mas dois dias após minha saída do país, enfrentamentos armados entre gangues rivais no Rio custaram pelo menos 14 vidas, incluindo as de três policiais mortos quando o helicóptero em que estavam foi abatido. Para o comentarista, “é grande crédito do Brasil que, durante vários dias de encontros e entrevistas no Rio e em São Paulo, ninguém negou que o crime violento é uma realidade no país, e pode ter um sério impacto no seu desenvolvimento”.

Já pelo lado positivo, diz Skapinker, “o Brasil é um país com imenso potencial, um povo acolhedor e diverso, excelente comida e diversas empresas de porte mundial”.

- Diferentemente da China, o Brasil não tem conflitos étnicos agudos e é uma democracia partidária. Os brasileiros reclamam da corrupção de seus políticos, mas apontam que, ao contrário dos Estados Unidos, os resultados das eleições presidenciais - a próxima é em outubro de 2010 - são anunciados rapidamente. O comentarista acrescenta que a riqueza petroleira, em um país que produz a maior parte de sua energia de hidrelétricas e etanol, representa um “prospecto intrigante”.

- Os brasileiros sabem que o petróleo pode ser uma maldição ou uma bênção. A maneira como empregarem sua nova riqueza determinará se o país se tornará uma força no século 21.

O comentarista encerra o artigo retomando sua idéia inicial. “O Brasil será uma grande história - não apenas no próximo ano mas por muitos anos”.

Fonte: O Globo

Adicionar comentário 21 de Outubro de 2009 às 15:53 admin

Senado aprova Lei 135/2009 que Reforça Importância da Rastreabilidade

Dia 20 de outubro de 2009 a CRA - Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, aprovou o Projeto de Lei da Câmara nº 135, de 2009.

Alguns veículos de comunicação usaram indevidamente o termo “Novo SISBOV” para essa lei, que não substitui o sistema atual, que continua em vigor.

A Lei, inclusive, reforça os conceitos e a importância da rastreabilidade para a cadeia produtiva brasileira. Vejam o texto da Agência Senado na íntegra:

Aprovada proposta que disciplina rastreabilidade da carne bovina

Proposta que conceitua e disciplina a aplicação de rastreabilidade na cadeia produtiva das carnes de bovinos e de búfalos foi aprovada nesta terça-feira (20), em decisão terminativa, na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). O texto define rastreabilidade como a capacidade de garantir o registro e o acompanhamento de informações sobre as fases que compõem a cadeia produtiva das carnes de bovinos e de búfalos. A medida permitirá o monitoramento de um animal ou grupo de animais durante todos os estágios da sua vida, bem como seguir um produto por todas as fases de produção, transporte, processamento e distribuição dessas carnes.

O principal objetivo do projeto (PLC 135/09) é o aperfeiçoamento de controles e garantias nos campos da saúde animal, saúde pública e inocuidade dos alimentos. Ao apresentar voto favorável à matéria, o senador Gilberto Goellner (DEM-MT) lembrou que a exigência legal de rastreabilidade para alimentos exportados para a União Europeia já provocou embargos às exportações de carne bovina brasileira. O senador observou ainda que o Japão e os Estados Unidos tendem a exigir mecanismo semelhante de controle, “em um futuro não muito longínquo”.

- Não obstante vários estados brasileiros serem livres de riscos sanitários, as falhas constatadas na rastreabilidade ou mesmo a falta de confiança e/ou segurança de um sistema apropriado constituíram pretexto para embargo às exportações brasileiras - afirmou o relator, ao citar casos de suspensão da importação de carne brasileira por vários países, em ocasião da ocorrência de foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em 2005.

Ao defender a aprovação do projeto, Goeller informou ainda que o projeto foi amplamente discutido com órgãos públicos e privados envolvidos com a questão.
Vários senadores se manifestaram para elogiar o projeto. Osvaldo Sobrinho (PTB-MT) afirmou que o sistema de rastreabilidade que está sendo implantado pelo governo não funciona, por causa da burocracia.

- O governo não tem condições de mandar pessoal para fiscalizar e autorizar o sistema. Tudo que depende do governo neste país tem sido um trauma para quem precisa de autorização - afirmou Sobrinho.

Já Delcídio Amaral (PT-MS) disse que esse projeto vem “num excelente momento, principalmente para afastar definitivamente vários fantasmas, como o da febre aftosa, que tanto prejudicou a economia brasileira”. Flexa Ribeiro (PSDB-PA) lembrou que o Brasil é o maior exportador mundial de carne e que a “rastreabilidade vai garantir a sanidade do animal nacional”. César Borges (PR-BA) e Kátia Abreu (DEM-TO) afirmaram que o projeto é “da maior importância para setor agropecuário brasileiro”.
Projeto
De acordo com a proposta aprovada na CRA, os agentes econômicos que integram a cadeia produtiva das carnes de bovinos e de búfalos ficam responsáveis, em relação à etapa de que participam, pela guarda dos registros fiscais de movimentação e comercialização de animais e de produtos de origem animal por um prazo de cinco anos. Os produtores terão dois anos, a partir da regulamentação da futura lei, para se adequarem às novas normas. O projeto sugere que, sempre que possível, não devem ser estabelecidos procedimentos que sobrecarreguem o produtor “em termos de formalidades administrativas”.

A rastreabilidade se baseará na utilização de marca a fogo, tatuagem ou outra forma permanente e auditável de marcação dos animais, para identificação do estabelecimento proprietário. Esse procedimento será dispensado em animais identificados por sistema de dispositivo eletrônico ou com registro genealógico em entidades privadas autorizadas pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Também será exigida para a rastreabilidade a Guia de Trânsito Animal (GTA); a nota fiscal; registros oficiais dos serviços de inspeção de produtos de origem animal nos âmbitos federal, estadual e municipal, conforme exige a legislação; e registro de animais e produtos efetuados no âmbito do setor privado pelos agentes econômicos de transformação industrial e distribuição.

Ainda segundo o projeto, os estabelecimentos rurais e os de abate somente poderão receber bovinos e búfalos identificados com base nas normas legais e acompanhados de GTA em que essa identificação esteja presente. A proposição também prevê que a autorização de importação de animais e produtos de origem animal fica condicionada à comprovação, pelo importador, de que foram cumpridas as regras de rastreabilidade do país de origem e que essas normas são pelo menos equivalentes às da lei brasileira.

Valéria Castanho e Rita Nardelli / Agência Senado

Matéria: http://www.senado.gov.br/Agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=96588&codAplicativo=2&codEditoria=3

PLC 135/09: http://www.senado.gov.br/sf/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=92032

1 comentário às 15:39 admin

Bancada Ruralista vence embate com ambientalistas e fatura principais cargos de comissão especial

À custa de muita polêmica e com a ajuda do PT, a bancada ruralista da Câmara conseguiu ontem instalar a comissão especial do Código Ambiental e garantir presença nos cargos mais importantes do grupo. Os ambientalistas tentaram evitar. Mas, como eram minoria, tiveram de jogar a toalha e se limitar ao papel de fiscalizadores dos trabalhos da comissão. Eles culpam o governo por ter se omitido e deixado que - às vésperas de o país apresentar em Copenhague suas metas para a melhoria do meio ambiente - os trabalhos sobre a reforma ambiental(1) fiquem nas mãos de parlamentares que são grandes produtores. “Acho uma contradição. O país quer aparecer como quem trabalha por questões ambientais e em uma hora importante como essa deixa a reformulação das leis sobre esse tema nas mãos dos ruralistas”, afirma o líder do PV, Edson Duarte (BA).

A reclamação do líder se deve ao fato de que PV e PSol esperavam contar com a ajuda dos petistas para pressionar por divisão igual dos principais cargos. O PT, no entanto, preferiu se omitir. Apenas apoiou o nome de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para a relatoria. Rebelo era o preferido da maioria, que acreditava no clima de acordo que a indicação poderia dar às decisões sobre os cargos. “O PT entendeu que deveria compor com a maioria. Foi uma grande negociação”, diz o novo presidente da comissão, Moacir Micheletto (PMDB-PR). “O problema é que Aldo não é em nada neutro. Em alguns casos, ele já foi mais ruralista do que a própria bancada rural”, contradiz Ivan Valente (SP), líder do PSol.

O presidente da comissão nega interferências em torno da composição da comissão, mas admite que a neutralidade governista ajudou a evitar atritos com os produtores. “Somos maioria e vamos trabalhar normalmente. Somos fiscalizados e vigiados pelos diferentes setores da sociedade”, afirma Micheletto.

Valente, por sua vez, diz que é preciso ficar atento às principais metas dos ruralistas, como a redução de áreas de reserva legal. “Eles querem adaptar a lei aos próprios interesses. Diminuir as áreas destinadas à preservação é o primeiro passo”, diz Valente.

CPI do MST

Enquanto vibram com a vitória na comissão especial, os ruralistas travam outra batalha: a instalação da CPI do Campo, destinada a investigar os repasses federais ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), garante já ter assinaturas suficientes, mas diz que vai esperar por uma sessão do Congresso para apresentar o requerimento. Ontem, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que convocará sessão conjunta somente se os líderes entrarem em acordo para votar outras matérias. Para pressionar Sarney, a oposição ameaça obstruir a pauta.

Tudo em um

A comissão especial foi instalada para discutir o Projeto de Lei nº 1876/99, do ex-deputado Sérgio Carvalho, que propõe um novo Código Florestal em substituição ao atual (Lei nº 4.771/65). A proposta recebeu dezenas de outros projetos sobre o tema que tramitavam na Casa. O mais polêmico e o que desperta maiores divergências entre ambientalistas e ruralistas é o PL 5367/09, do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que institui o Código Ambiental Brasileiro e revoga o Código Florestal. Tal proposta significaria mudança completa das atuais regras e leis ambientais.

Memória

Divergência acirrada

O confronto entre ambientalistas e ruralistas em torno da instalação da comissão especial do Código Florestal já dura meses, mas começou a se agravar em 29 de setembro. Por dois dias seguidos, os bate-bocas entre integrantes dos dois grupos adiaram a instalação da comissão. Os ruralistas articulavam para manter a maioria dos cargos decisivos. Os ambientalistas, em minoria, denunciavam a manobra.

No dia 30, a reunião foi encerrada às pressas, depois que o líder do PV, deputado Edson Duarte (BA), reclamou que seu partido não havia participado de acordo algum e contestou o anúncio de que o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) deveria ser eleito presidente. Na ocasião, Duarte questionou inclusive a pré-indicação de Sarney Filho (PV-MA) para ser um dos vices na comissão, alegando que a escolha não havia passado pela análise da legenda ambientalista.

Diante das pressões e dos indícios de que a maioria formada pelos ruralistas deveria mesmo liderar as discussões da comissão especial, o PV ameaçou diversas vezes abandonar os trabalhos como sinal de protesto. Acabou convencido pelos integrantes do Psol de que o melhor seria unir forças para exercer papel fiscalizatório dos atos dos ruralistas.

Fonte: Correio Braziliense - DF

11 comentários 15 de Outubro de 2009 às 16:46 admin

Desoneração de PIS e COFINS - Entrevista Sr. Edvar Vilella

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Com imagem abalada após denúncia do Greenpeace, frigoríficos se comprometem a não desmatar Amazônia

Executivos da JBS-Friboi, Bertin, Marfrig e Minerva - as quatro maiores empresas brasileiras de abate e processamento de carne e couro - assinaram ontem com a organização não-governamental Greenpeace um compromisso público de não aceitar gado de fornecedores envolvidos com o desmatamento da Amazônia. A reunião aconteceu na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

O discurso afinado entre frigoríficos e o Greenpeace aconteceu cerca de quatro meses depois de a ONG denunciar o setor no relatório “Farra do Boi na Amazônia”. O relatório acusava a indústria da pecuária de ser o principal responsável pelo desmatamento no bioma amazônico. No mesmo dia da publicação do relatório, em junho, o Ministério Público entrou com ação pública contra a criação e compra de gado da região. As empresas, aos poucos, assumiram uma a uma o compromisso de boicotar a compra de carne de áreas devastadas e as grandes redes de varejo seguiram o mesmo caminho.

Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, estado com o maior rebanho do País, também participou do encontro. O político e produtor rural anunciou que a meta do estado é ter 100% das propriedades rurais cadastradas no programa de licenciamento ambiental no prazo de um ano.

Maggi defendeu que pecuaristas sejam compensados financeiramente pelas áreas do bioma amazônico que deixarão de ser desmatadas para tornar viável o fim da compra de matéria-prima de áreas desmatadas da Amazônia.

Segundo o governador, o Brasil vai propor na Conferência do Clima de Copenhague, em dezembro, que os produtores rurais sejam remunerados por não explorar os 20% de suas propriedades que fazem parte da região amazônica cujo desmatamento é autorizado pela legislação atual.

“Na última reunião do Fórum de Governadores da Amazônia com o presidente Lula e ministros, ficou decidido que essa reivindicação vai para Copenhague. O presidente ainda quer conversar com outros presidentes da Amazônia sul-americana para a apresentação de uma proposta conjunta, mas a posição do Brasil já está tomada”, afirmou Maggi.

O governador do Mato Grosso insiste na contrapartida econômica: “Aquele que tem o direito de usar 20% de sua propriedade precisa ter a opção de transformar isso em atividade economia tradicional ou moderna, que é preservar o meio ambiente, mas receber por isso”.

De acordo com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), das 26 milhões de cabeças que formam o rebanho do Estado do Mato Grosso, cerca de 10 milhões estariam em área de desmatamento ilegal.

O Mato Grosso, um dos líderes em desmatamento no País, vai fornecer aos frigoríficos um sistema de monitoramento por satélite para acompanhar a área utilizada para pecuária na Amazônia.

Segundo o governo federal, a pecuária ocupa 80% das áreas desmatadas na Amazônia. Os frigoríficos adotaram prazos para o cadastro das fazendas fornecedoras e o monitoramento do desmatamento ao longo da cadeia produtiva.

O Greenpeace deve ajudar na fiscalização, mas o acordo assinado ontem não implica em nenhum tipo de penalidade aos frigoríficos que não cumprirem o compromisso. O acordo prevê ainda que os frigoríficos rejeitem invasão de terras indígenas, trabalho escravo e grilagem, entre outros pontos.

O presidente da Marfrig, Marcos Molina, ressaltou que o pacto representa um passo importante para a cadeia produtiva na adoção de boas práticas de sustentabilidade, atendendo a consumidores estrangeiros e brasileiros.

Já o sócio-diretor da JBS-Friboi, José Batista Junior, destacou que ações conjuntas como esta fortalecem a posição de frigoríficos brasileiros no mercado externo.

“A adoção de medidas conjuntas demonstra a seriedade dos compromissos assumidos pelos frigoríficos e ajuda a evitar a duplicação de esforços, agilizando a adoção de critérios que levem ao fim do desmatamento na produção pecuária brasileira”, disse Paulo Adário, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace.

Fonte: Sindifrio

11 comentários às 16:38 admin

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