Arquivo de 28 de Janeiro de 2009

Boi Gordo - 28/jan/2009

Adicionar comentário 28 de Janeiro de 2009 às 11:01 admin

Bem-estar animal: Brasil deve estabelecer padrões envolvendo transporte e clima

Tema foi discutido na última semana, na Bélgica.

Os avanços na implantação de métodos que resultem em bem-estar animal nas cadeias de aves, suínos, bovinos e outros animais de produção foram discutidos nos dias 19, 20 e 21 de janeiro durante a Conferência Global de Bem-Estar Animal, em Bruxelas. Estiveram na pauta temas como abate, instalações, transporte, comercialização de animais e aspectos relacionados às questões alimentares.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo, Márcio Portocarrero, é necessário o Brasil estabelecer os parâmetros adequados às condições de distâncias e de clima, uma vez que os padrões europeus foram criados para condições de climas adversos e pequenas distâncias.

“Em 2008, o Brasil exportou mais de 400 mil bovinos vivos para o Líbano e Venezuela e constatamos que as estruturas utilizadas para reter os animais antes do embarque estavam de acordo com os critérios de bem-estar animal. A adequação dos navios passa a ser um desafio mundial, uma vez que existe transporte de animais vivos entre todos os continentes”, ressaltou o secretário.

Portocarrero disse que a questão de bem-estar animal ainda não está inserida na pauta da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que, enquanto o tema não constar, a OMC não pode tratá-lo em litígios no âmbito do comércio internacional. “A posição do Brasil é que as preocupações com bem-estar animal não podem servir a fins protecionistas e estamos dispostos a implementar normas e procedimentos em conjunto com o setor privado”, explicou. As informações são da Ascom Mapa.

Fonte: Portal DBO
Data: 27/01/2009

75 comentários às 10:27 admin

Austrália: OIE notifica doença da língua azul

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) notificou o registro de sete casos da doença da língua azul em bovinos na Austrália. A notificação foi feita por se tratar de uma nova cepa de uma doença já registrada.

Desta vez, os testes mostraram se tratar do sorotipo 2 do vírus da doença da língua azul. Dentre 1024 animais susceptíveis, foram registrados sete casos, todos em bovinos. Os casos eram sub-clínicos, sem registro de sintomas da doença.

Estas descobertas ocorreram em uma zona conhecida pela presença da doença, no norte da Austrália. Trinta anos de vigilância regular determinaram a extensão da zona afetada pela doença no país e seus vetores.

Os sorotipos 1,3,7,9,15,16,20,21 e 23 já tinham sido isolados em bovinos na região norte da Austrália. Acredita-se que os vetores infectados são levados para a Austrália pelas monções.

A doença da língua azul está se tornando um problema cada vez maior na Europa, onde a União Europeia (UE) tem financiado programas de vacinação contra a doença, além de tomar várias outras medidas de controle da doença. Disseminada por mosquitos, a doença da língua azul anteriormente tendia mais a ocorrer em regiões do sul da UE até 2006, quando passou a se mover para o norte.

Em 2007, o quadro foi ainda pior, com mais de 50 mil casos confirmados em 11 países (veja artigo relacionado). De julho de 2007 a abril de 2008, 57.542 propriedades de 11 países diferentes dos 27 membros da União Européia (UE) foram afetadas somente pelo sorotipo 8 da doença da língua azul (veja artigo relacionado).

Os ovinos são freqüentemente os animais mais afetados sofrendo de problemas respiratórios, debilidade, salivação e altas temperaturas corpóreas. Em alguns casos, a língua do animal fica azul.

Fonte: Beefpoint
Data: 27/01/2009

61 comentários às 10:06 admin

Chuvas e preço levam produtores a reterem os animais em engorda

No Mato Grosso, a oferta de animais terminados encontra-se relativamente reduzida. Em Cuiabá, segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo vale R$73,00/@, a prazo, para descontar o funrural. As boas condições das pastagens (graças às chuvas) e as quedas de preço da última semana estão instigando os produtores a reterem os animais em engorda. Dessa forma, a pressão de baixa começa a perder força. Esse comportamento, aliás, é observado em boa parte do país.

ALS

Fonte: Scot Consultoria
Data: 27/01/2009

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Resultado de janeiro preocupa governo

As estatísticas de comércio exterior em janeiro causam forte preocupação no governo e confirmam a tendência de déficit neste início de ano, após 93 meses de superávit comercial. Nas quatro primeiras semanas de janeiro, as importações já superam em US$ 645 milhões as exportações - US$ 255 milhões só na semana passada. Esse valor indica que o mau resultado na balança comercial pode se aproximar dos piores registrados de todos os meses de janeiro, desde 1990. Analistas prevêem que os déficits continuarão até o início da safra agrícola, em março, mas acreditam ainda ser possível um superávit no fim do ano.

Alarmado com os resultados da balança comercial, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, determinou aos seus assessores que façam um acompanhamento detalhado das importações. O ministério passou a submeter grande número de produtos a licenças prévias de importação, mas os técnicos alegam que a medida tem fins “estatísticos”, e não haverá demora na emissão do licenciamento. O governo teme que o bom desempenho da economia brasileira atraia exportadores de outros países em busca de alternativas aos mercados mundiais em retração, o que significa que poderá impor limitações em caso de elevação abrupta nas importações de determinado produto.

A idéia de levantar barreiras a produtos importados não é bem vista no Ministério da Fazenda, e o ministro Miguel Jorge tem defendido, no governo, maior empenho da redução dos impostos sobre a produção dos exportadores e passou a usar o mau desempenho no comércio exterior como argumento de que a medida é urgente .

Nos primeiros 16 dias úteis de janeiro, as exportações foram de, em média, US$ 471,1 milhões por dia, 21% menores que na média de janeiro de 2008, e quase 25% inferiores à media de dezembro. Os especialistas atribuem a queda à redução nos preços de commodities, como carnes e soja, e à retração dos mercados, que também diminuíram fortemente a demanda por produtos industrializados.

Para o economista Fábio Silveira, da RC Consultores, janeiro é, tradicionalmente, um mês de resultados mais modestos, com a redução das vendas de produtos agrícolas como a soja e o açúcar, mas os resultados do mês, acumulados até a última semana, foram muito influenciados, também, pelas “quedas brutais” nos preços do mercado internacional. A RC está entre a mais pessimistas em relação à balança neste ano, com previsão de US$ 8 bilhões, bem abaixo da média de US$ 14,5 bilhões, prevista pelos especialistas consultados pelo Banco Central.

Nos últimos 19 anos, só em cinco a balança comercial foi negativa em janeiro: em 1995, no auge da desvalorização do dólar com o Plano Real, e de 1998 a 2001, quando as exportações se recuperaram a ponto de ter resultados superiores às importações em US$ 2,5 bilhões por dois anos seguintes. Em 2008, o superávit da balança caiu para US$ 944 milhões, mas, em 2009, segundo comenta Silveira, as estatísticas vão registrar plenamente a grande queda de preços ocorrida devido à crise financeira. Os preços da soja, por exemplo, tiveram queda de 35% no fim do ano passado.

Para o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o governo ainda tem chance de agir para evitar uma piora dos resultados comerciais em 2010, para quando ele prevê uma queda na área plantada e na produtividade, provocada pelos baixos preços e alto custo de insumos na agricultura. Só a fixação de um preço mínimo “razoável” e melhoria na oferta de crédito permitirá manter um bom nível de produção, para que o Brasil aproveite a melhoria das condições de mercado, provável no ano que vem, recomenda Rodrigues.

As importações vêm caindo, mas em ritmo bem inferior ao das exportações. Na semana passada, a média diária ficou 8,8% abaixo da média de janeiro de 2008 e 2,2% inferior à de dezembro. A compra de aeronaves reduziu a queda no valor das importações neste mês, mas continua em alta o ritmo de importações de produtos farmacêuticos, siderúrgicos, químicos e papel e celulose. Outros produtos, como fertilizantes, equipamentos elétrico e e eletrônicos e automóveis garantiram a queda no valor das importações.

Sergio Leo

Fonte: Valor Econômico
Data: 27/01/2009

5 comentários às 09:40 admin

Argentina decreta situação de emergência agropecuária

O governo argentino decretou, ontem, situação de emergência agropecuária nas zonas castigadas pela seca, uma das mais graves da história do país vizinho. Segundo a presidente Cristina Kirchner, os produtores ficam isentos do pagamento de impostos durante um ano. Ao comunicar a decisão, ela apontou que a medida representa um esforço para todos os argentinos. “Não há outro setor que tenha esse benefício”, frisou.

A ação era reivindicada por agricultores como forma de compensar as perdas provocadas pela morte de quase 1,8 milhão de cabeças de gado e pela devastação de mais de 50% das plantações de trigo e milho. No final da semana passada, lideranças de entidades agrícolas chegaram a ameçar o governo com novos protestos se nada fosse feito em favor dos proprietários rurais.

Dias depois de ter negado que o governo anunciaria o decreto de emergência, Cristina Kirchner foi além. Ontem, ela anunciou a eliminação da cobrança de autorizações de carga de quase 200 milhões de pesos/ano (57 milhões de dólares). “Queremos grande patriotismo e esforço porque o governo deixa de receber recursos”, ponderou.

A crise do país e as alternativas de apoio ao setor deverão estar em pauta na próxima reunião do Grupo Farm, no dia 12 de fevereiro. “Não temos ação programada, mas acredito que é oportuno”, apontou o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.

Fonte: Correio do Povo
Data: 27/01/2009

67 comentários às 09:32 admin

Agronegócio: Exportações brasileiras aos países árabes crescem 30% em 2008

Os embarques renderam US$ 6 bilhões no ano passado.

As exportações do agronegócio brasileiro aos países árabes renderam mais de US$ 6 bilhões no ano passado, um crescimento de 30% em comparação com 2007. Os dados são do Ministério da Agricultura. “Um mercado que já era importante ficou relativamente mais importante ainda”, comentou o diretor do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio no ministério, Eduardo Sampaio Marques, à Agência Anba.

Os maiores destinos dos produtos brasileiros na região em 2008 foram Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Marrocos. As principais mercadorias comercializadas foram as carnes de frango e bovina, açúcar, cereais - especialmente milho e trigo, óleo de soja e café.

A Arábia Saudita, que já é tradicionalmente o maior mercado, ampliou suas importações em 45%, ou seja, acima da média. As carnes tiveram um crescimento de 40%, influenciado principalmente pelo aumento de preço. Mas as receitas registradas com as vendas de outros produtos, como farelo de soja e milho, avançaram ainda mais.

Os embarques para a Argélia tiveram bastante influência do óleo de soja, cujas exportações cresceram 300%, da carne bovina, com aumento de 56%, cereais (200%) e café verde (183%). Outra mercadoria importante na pauta bilateral é o leite em pó, mas as vendas caíram em 2008. No caso dos Emirados Árabes, apesar do país continuar na terceira posição entre os destinos na região, as vendas para lá diminuíram 5,72%. Para o Marrocos, que é importante fornecedor de fertilizantes ao Brasil, os embarques cresceram 40%.

Em seguida na lista de compradores aparecem Kuwait, Síria, Líbano, Iêmen e Jordânia. O valor exportado para o primeiro colocado, a Arábia Saudita, foi de US$ 1,43 bilhão e, para o 10°, de US$ 192 milhões. Mercados que cresceram acima da média, além do saudita, foram Kuwait, Síria, Tunísia, Jordânia, Omã, Catar, Líbia e Djibuti.

Fonte: Portal DBO
Data: 26/01/2009

67 comentários às 09:30 admin

JBS estuda confinamento na Argentina

A gigante brasileira de carne bovina, JBS S.A. está entrando no negócio de confinamento na Argentina. O diretor da divisão JBS Swift Argentina - uma das maiores exportadoras de carne bovina do país -, Jorge Bowie, disse que a companhia está estudando a opção como uma forma possível de garantir um abastecimento mais estável.

O esforço chega em um momento em que Buenos Aires tenta impulsionar o uso de confinamento para aumentar a produção de carne bovina em preparação para uma possível redução na oferta em um futuro próximo.

Os maiores preços da carne bovina da Argentina, país que tem a mais alta taxa de consumo per capita do mundo, também têm ajudado a estimular uma mudança na produção de animais criados a pasto para animais alimentados com grãos. Em poucos anos, cerca de 90% do gado do país passará por confinamentos, disse o ex-presidente da Oficina Nacional de Controle Comercial Agropecuário (ONCCA), Ricardo Echegaray. Atualmente, cerca de um terço do gado abatido na Argentina passa por estabelecimentos de engorda.

A JBS tem 150 mil cabeças de gado confinados em São Paulo. Através da aquisição da Smithfield Beef Group a empresa se tornou dona da Five Rivers Ranch Cattle Feeding, que tem a capacidade de alimentar mais de 800 mil cabeças de gado em operações no Colorado, Idaho, Kansas, Oklahoma e Texas.

As informações são do Dow Jones, publicadas no site MeatingPlace.com, traduzidas e adaptadas pela Equipe BeefPoint.

Fonte: Beefpoint
Data: 26/01/2009

77 comentários às 09:27 admin

Tyson Foods tem prejuízo de US$ 112 mi no trimestre

A norte-americana Tyson Foods Inc., maior processadora mundial de carnes, registrou um prejuízo líquido de US$ 112 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2009. O resultado foi provocado por uma redução de 0,3% na margem bruta e uma queda de 2,7% nos volumes. No primeiro trimestre fiscal de 2008, a empresa registrou lucro líquido de US$ 34 milhões. Apesar do prejuízo no trimestre encerrado em 27 de dezembro de 2008, a receita teve aumento de 0,7% para US$ 6,52 bilhões.

A Tyson Foods tem sido prejudicada pelo aumento dos custos de ração, especialmente no segmente de carne de frango, e agora a queda na demanda está prejudicando os resultados da empresa. A empresa havia alertado em novembro que poderia ter prejuízo no primeiro trimestre fiscal de 2009, em consequência do enfraquecimento da economia global, da alta do dólar e da volatilidade nos mercados de commodities.

Leland Tollett, presidente e diretor executivo interino da empresa, afirmou hoje que os fundamentos do segmento de carne de frango estão melhorando. A empresa cortou a produção em 5% no mês passado, com a demanda começando a diminuir notavelmente. As informações são da Dow Jones.

Fonte: Agência Estado
Data: 26/01/2009

10 comentários às 09:23 admin

Crise leva frigoríficos a recuar no processo de profissionalização

A profissionalização das indústrias brasileiras de carne bovina deu um passo atrás. Nos últimos anos, o que se viu foi a tentativa de acabar com a informalidade e falta de transparência que grassavam no setor, investimentos em governança e contratação de executivos para a abertura de capital para levantar recursos. Mas, espremidas por uma crise de escassez de matéria-prima agravada pela turbulência financeira internacional, que fez o crédito secar, algumas companhias, que vinham se profissionalizando e se preparando para ir ao mercado, retrocederam.

Na Bertin S.A, João Pinheiro Nogueira Batista, que estava havia apenas seis meses no cargo de diretor-presidente, saiu e deu lugar a Fernando Bertin, um dos fundadores do grupo. No frigorífico Mercosul, o executivo Augusto Cruz, que ocupava a presidência, deixou o posto. A Galeazzi & Associados, que preparava um plano para reestruturar o Quatro Marcos, também deixou a empresa, que pediu recuperação judicial no fim do ano passado e vinha numa agonia desde meados do ano passado, depois da tentativa frustrada de criar uma joint venture com o frigorífico Margen.

A freada das empresas tem muito a ver com a crise financeira, mas também com o fato de que as companhias desse setor recorreram à profissionalização principalmente com o intuito de abrir o capital. Assim, se não é possível fazer o IPO agora, já que a liquidez no mercado secou, simplesmente suspende-se o processo.

Nas que conseguiram abrir o capital em 2007, - JBS, Marfrig e Minerva - representantes das famílias permaneceram na presidência, apesar de um time grande de profissionais ter sido contratado. Na JBS, o executivo Sérgio Longo, que acaba de deixar a empresa, ocupava desde 2003 a diretoria financeira. Para analistas, mesmo com o comando familiar, essas empresas lograram ir ao mercado porque foram favorecidas pela liquidez naquele momento, mas também porque estavam melhor preparadas do ponto de vista de governança.

Um especialista do setor de carnes, que prefere não se identificar, afirma ter havido erros na profissionalização das empresas do setor. “O que assistimos foi a profissionalização para [as companhias] abrirem capital e levantarem recursos. O IPO não pode ser o objetivo. Tem de ser o meio para a empresa crescer”, alfineta.

Diante dessa lógica de profissionalizar para fazer IPO, as empresas contrataram executivos com perfil financeiro, segundo essa fonte. Outro equívoco, em sua opinião. “É um erro trocar o presidente de uma empresa para abrir capital. Para ser presidente tem de conhecer a parte operacional”, completa.

Para especialistas em gestão, esse tipo de recuo, com a volta da família ao comando das companhias, é comum em momentos de crise. Também não está restrito a um determinado setor da economia - pode acontecer em qualquer um. “É comum, nos momentos de crise, as empresas que estão no meio de um processo de mudança ou de transformação terem seu nível de maturidade diminuído, voltando a ter comportamentos típicos da fase anterior - que estavam solidificados”, afirma Betânia Tanure, professora da Fundação Dom Cabral.

De acordo com ela, o retrocesso pode ocorrer não só em empresas familiares e acontece, “não raramente, quando o processo de profissionalização não está sólida”. Na visão da especialista, o recuo ocorre porque as pessoas ficam mais inseguras. “Em momentos de crise, quando as certezas diminuem, os riscos aumentam e os resultados não chegam com a mesma velocidade, é comum os fundadores recuarem no processo recém-iniciado de profissionalização, julgando que eles têm gestão mais conservadora e que conhecem o negócio como ninguém. E, às vezes, isso é até verdade”, admite.

O fato é que a crise gera desconfiança. “O proprietário se pergunta: “será que o executivo é mais capaz do que eu que estou no negócio há 50 anos?”, exemplifica Fabiana Fakhoury, da Alvarez & Marsal, consultoria especializada em fusões, aquisições e restruturação de empresas.

Em determinados casos, a volta da família ao comando pode ser de fato a melhor solução, afirma Tanure, para quem “há mais dificuldade de passar o bastão” por parte dos donos em momentos de turbulência econômica.

Logo depois de devolver o bastão aos donos da Bertin, João Nogueira Batista, disse, em entrevista ao Valor, que houve uma “percepção da família” de que Fernando Bertin deveria “tocar o negócio como executivo”. Ainda que cauteloso, Batista afirmou que a empresa “não estava pronta para o passo que deu há seis meses”, quando o contratou.

Também disse que havia conseguido, em seu curto período à frente da companhia, consolidar a estruturação do modelo de gestão, com a formação do conselho de administração e implementação do sistema de governança da empresa, uma das maiores exportadoras de carne bovina do país, que faturou R$ 5,9 bilhões em 2007, último dado disponível.

Uma fonte próxima à Bertin garante que se houvesse atualmente um quadro favorável para aberturas de capital, a empresa estaria preparada, porque sua governança está consolidada e a contabilidade, integrada.

Segundo essa mesma fonte, a “agressividade” típica de um executivo profissional “não era a tônica” da Bertin, onde os fundadores são “acessíveis do porteiro ao controler”. Mas essa não foi a única razão para a saída de Batista. Também teria havido “trombadas” com colaboradores antigos que temiam perder poder com a profissionalização, diz outra fonte. Quem conhece a empresa de perto afirma que, de fato, os donos sempre resistiram à mudança e nunca se afastaram totalmente da gestão da Bertin.

A crise financeira internacional acabou contribuindo para o recuo da Bertin. Batista disse, à época de sua saída, que a decisão não tinha “diretamente a ver com a crise” , mas admitiu que com a alteração do cenário econômico a “abertura de capital não é tão premente”. Procurados novamente, a Bertin e Batista não se pronunciaram.

Foi também a crise que levou a Galeazzi a sair do Quatro Marcos, onde preparava, desde agosto de 2008, a reestruturação da empresa, que agora está em recuperação judicial e só tem duas unidades operando. Com oito plantas no país, o Quatro Marcos chegou a faturar R$ 944 milhões em 2007.

A tarefa da Galeazzi, que estava pela segunda vez na companhia, era estruturar a capitalização do Quatro Marcos para torná-lo viável, mas a crise não permitiu que isso acontecesse, apurou o Valor. Além disso, no atual cenário, a Galeazzi representava um custo a mais para o frigorífico. A equipe da Galeazzi foi embora, mas o executivo Jonas Salles se manteve como diretor financeiro do Quatro Marcos. Douglas Xavier, dono do frigorífico, voltou à presidência que era ocupada por Henning Von Koss, ex-Bayer, na gestão da Galeazzi.

A situação do Quatro Marcos já era difícil, principalmente depois da frustrada tentativa de joint venture com o frigorífico Margen. A crise financeira internacional só fez agravar o quadro, já que o crédito escasseou.

“As empresas do setor de carne bovina têm sofrido porque tiveram estrangulado o crédito que mais usavam, os ACCs [adiantamento de contratos de câmbio]”, observa Fabiana Fakhoury , da Alvarez e Marsal . Ela acrescenta que, além de as linhas de crédito para exportação terem secado, o mercado internacional de carnes diminuiu por causa da menor demanda e também pelas restrições que o produto do Brasil enfrenta na Europa, por exemplo.

Betânia Tanure avalia que a crise financeira dificulta a retomada do processo de profissionalização das empresas. E, para ela, nesse novo cenário, “aberturas de capital vão demorar mais a acontecer”. A professora observa que os IPOs ganharam fôlego num cenário em que a economia ia bem. Mas, acredita, “houve certo exagero no passo”. “A crise mostrou que tinha muita gente sem robustez suficiente para ir ao mercado, que não estava preparada o suficiente”, acrescenta.

Alda do Amaral Rocha

Fonte: Valor Econômico
Data: 26/01/2009

59 comentários às 09:21 admin

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