Preço da terra tem queda com o impacto da crise financeira
23 de Janeiro de 2009 às 10:04 admin | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 375
A crise financeira está revertendo o ciclo de forte valorização nos preços das terras agrícolas brasileiras. Em 2008, a cotação das propriedades rurais no País ainda aponta para recordes em termos nominais, mas a escassez de negócios nos últimos quatro meses e uma retração do valor do hectare no último bimestre sinalizam que a falta de liquidez gerada pela crise já se instalou nesse mercado.
De acordo com relatório da AgraFNP, no último bimestre de 2008, o preço médio do hectare no País foi de R$ 4.330, ante R$ 4.341 no bimestre anterior (setembro/outubro). O levantamento é o primeiro a indicar uma reversão de preços. De acordo com Jacqueline Bierhals, analista da AgraFNP, o revés das commodities espantou a ação de grandes investidores estrangeiros e especuladores. “O setor sucroalcooleiro também atua puxando os preços para baixo e a tendência é que 2009 seja um ano parado para o mercado de terras”, disse.
O desempenho dos preços dos imóveis rurais ainda é visto como um sinal de estagnação e não de recuo, mas já é uma sinalização de como o mercado de terras deverá se comportar ao longo do ano já que o setor costuma ter respostas mais lentas em relação a outros.
Segundo a analista, comparando-se a média atual com o valor de 12 meses atrás, houve valorização nominal de 8,3%. Mas, descontando-se a inflação no período, nota-se perda real de patrimônio de 0,8%. “A valorização quando comprada a inflação resulta em nada, houve uma perda de valor patrimonial. O segundo semestre neutralizou os ganhos ao longo do ano”, avalia.
Em linhas gerais, 2008 continua sendo considerado um ano satisfatório, com desempenho inferior somente ao observado no início de 2004. A maior alta ocorreu na Região Sul, que registrou um incremento de 16,6%, seguida pela Região Nordeste, com alta de 8,8%. Nas duas regiões os preços foram sustentados pela demanda no setor de grãos. No Norte e Centro-Oeste, os preços subiram 6,2% e no Sudeste 4,1%.
Claudinei Bergoli Costa, corretor que atua há 28 no Rio Grande do Sul, acredita que este será um ano de compradores retraídos. “Com a seca no estado vai ser um ano difícil para agricultura”, avalia. “Nossa região é totalmente agrícola, se a safra não vai bem ninguém tem dinheiro e os órgãos financeiros não querem financiar”, afirma.
Apesar de estar atrás do Sul do País, em termos de preço é o Nordeste que concentra o maior número de investidores. De acordo com Bierhals, no ranking das 10 terras mais valorizadas só há áreas do chamado médio norte do Brasil.
A região conhecida como Mapito (Maranhão-Piauí-Tocantis) e o oeste baiano, ainda que em menor volume, deve continuar atraindo investimentos de grupos estrangeiros. Maria José dos Anjos, proprietária da Maria José Imóveis, e que atua nessa região, revela que quando a crise estourou a imobiliária estava fechando vários negócios grandes que foram suspensos, inclusive com grupos de chineses que tinham o capital atrelado a Bolsa de Valores. “Agora muitos investidores já estão retornando, são empresas consolidadas, que precisam seguir com o plantio e não dependem de financiamento do banco”, disse.
Na ponta vendedora, a maior parte dos clientes da Maria José são produtores que passaram por problemas relacionados a seca e agora desejam vender a lavoura para outro tipo de atividade. Usineiros que atuam na região do Mato Grosso também procuram se ajustar ao mercado, optando pela venda ou buscando novos investidores para o negócio.
“Depois da crise ainda não baixaram os preços da terra, mas há muitas fazendas para venda e nenhum investidor”, disse Silvio Carlos de Oliveira, corretor de imóveis rurais no MT e São Paulo. Segundo ele, o perfil dos vendedores nessas regiões são empresários que atuam em outros setores e agora querem vender parte das terras para gerar caixa. O movimento é mais forte no MT devido a maior necessidade de saldar dívidas. “Não podemos descartar a possibilidade de um excedente de oferta gerado por produtores descapitalizados, o que faria com que o número de negócios aumentasse”, destaca Bierhals.
Priscila Machado
Fonte: DCI - Diário do Comércio & Indústria
Data: 22/01/2009
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