Arquivo de 16 de Janeiro de 2009

Resultado satisfatório no preço do boi gordo

Mesmo com uma ligeira queda, os pecuaristas de São Paulo acham que a relação de troca com o boi magro ainda está boa.

O mercado do boi gordo normalmente dá uma esfriada nos meses de janeiro e fevereiro, com o início das férias escolares e a queda no consumo. Este ano, os preços reagiram um pouco na primeira semana e deram a impressão de que as coisas seriam diferentes.

O coordenador de pesquisa do Centro de Estudos Agrícolas da Universidade de São Paulo, Sérgio de Zen, explicou que isso foi provocado por uma necessidade momentânea dos frigoríficos. “Na realidade, os frigoríficos entraram comprando um volume razoável. Não quer dizer que entraram comprando num volume maior do que o ano passado. Mas eles entraram comprando mais do que o mercado estava com capacidade de ofertar. Por isso, houve uma sensação de que os frigoríficos estavam comprando mais do que os outros anos”, disse.

O coordenador afirmou que os preços recuaram em seguida porque as exportações, que poderiam ajudar o mercado, vêm caindo desde novembro. “Alguns clientes da carne brasileira, que dependem da exportação do petróleo para ter recursos para comprar carne, tiveram uma queda de receita que se traduziu numa ou renegociação ou simplesmente corte no consumo de carne bovina”, completou Sérgio de Zen.

No campo os pecuaristas começaram o ano tomando mais cuidado na hora de vender a boiada. Com a instabilidade do mercado e as notícias de dificuldade na economia, o pecuarista ficou mais cauteloso este ano na hora de negociar o boi pronto para o abate.

O criador Djalma Ribeiro da Silva não pretende aceitar contratos antecipados com os frigoríficos. Ele prefere negociar de acordo com o preço do dia. “Chegou na hora do abate, consulta dois ou três frigoríficos, vê a proposta melhor e faz o abate do gado”, disse.

O seu Djalma vendeu o rebanho em dezembro por um bom preço e conseguiu comprar 1,2 mil bois magros. Ele ficou satisfeito com a relação de troca. Ele está otimista e acha que a pecuária será um bom negócio em 2009.

Em 2008, a renda da pecuária somou R$ 49 bilhões, um aumento de 51% em relação a 2007.

Fonte: Globo Rural
Data: 16/01/2009

62 comentários 16 de Janeiro de 2009 às 10:53 admin

ARG: Governo anuncia medidas de ajuda após seca

O governo argentino lançou na quarta-feira (14) um programa de créditos baratos e outros benefícios para os produtores rurais, mas as medidas foram consideradas insuficientes por um setor com problemas econômicos e em conflito com a presidente Cristina Fernández de Kirchner.

O setor rural argentino atravessa uma situação difícil devido a uma forte seca que já provocou grandes perdas na safra de grãos e na pecuária, além da queda nos preços das matérias-primas em relação aos recordes nos últimos meses. “Estamos dando resposta a uma necessidade dos produtores”, disse Cristina ao fazer os anúncios.

Entre outras iniciativas, o governo dará créditos com taxas baixas para a compra de máquinas agrícolas - uma indústria bastante prejudicada devido à queda na atividade - ligará os preços dos fertilizantes aos dos grãos e garantirá financiamento para as exportações. Fernández também anunciou benefícios para os setores de leite e de gado das áreas prejudicadas pela seca.

Entretanto, não baixou os impostos sobre as exportações de grãos, uma medida exigida pelo setor agropecuário, especialmente após a queda dos preços nos mercados internacionais desde julho. “Não vemos estes anúncios como positivos”, disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, uma das quatro entidades rurais em conflito com o governo. “A presidente deveria reconhecer que é preciso reacomodar o nível de impostos sobre as exportações”, completou.

Cristina deu a entender na quarta-feira que os impostos sobre a soja não serão reduzidos, ao argumentar que os atuais valores internacionais, ainda que inferiores aos de seis meses atrás, são similares aos de épocas anteriores. “Durante toda a gestão do presidente anterior (até o final de 2007) havia um preço mais baixo da soja do que o que existe hoje internacionalmente”, disse. A Argentina é um dos maiores fornecedores mundiais de soja, milho, trigo e carne bovina.

As informações são do Invertia, adaptadas e resumidas pela Equipe AgriPoint.

Fonte: Beefpoint
Data: 15/01/2009

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Conferência Mundial em Bruxelas debate bem-estar animal

A Implantação de Padrões de Bem-Estar Animal e a Certificação de Alimentos no Brasil – Boas Práticas Agropecuárias é o tema da palestra do secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), Márcio Portocarrero, que participa, nos dias 20 e 21 de janeiro, em Bruxelas, da Conferência Mundial de Bem-Estar e Comércio na Produção Animal. “Essa é a oportunidade de mostrarmos para o mundo que, além de termos os fatores naturais ao nosso favor, temos tecnologia de criação que atende à maioria dos pontos estabelecidos pelas convenções animais, em relação às regras de bem-estar animal”, explicou.

De acordo com Portocarrero, na área de avicultura as normas de bem-estar já estão prontas para serem aplicadas e a expectativa é que, até o fim do ano, sejam finalizadas as de suinocultura. ”Tudo está sendo discutido com o setor produtivo. Além disso, estamos trabalhando a regulamentação da área de transporte. Vamos cadastrar e treinar motoristas e definir o tempo que os animais podem ficar nas gaiolas no período de transporte”, enfatizou.

Entre as metas do setor para 2009 está a obtenção de resultados da cooperação científica em bem-estar animal com pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e universidades brasileiras, que tem o objetivo de estabelecer parâmetros de criação de animais de produção. Também estão previstos cursos de capacitação em bem-estar na produção animal para fiscais federais agropecuários e associação de produtores e parceria institucional com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) visando alocar recursos para estimular a comunidade científica a executar projetos de pesquisa voltados para o tema.

Cartilha – O Ministério da Agricultura elabora cartilha de bem-estar animal, a ser lançada em março deste ano. Na publicação, os produtores terão informações sobre como praticar o bem-estar e relação dos organismos de adequação às regras.

Em 2008, o Ministério da Agricultura instituiu a Comissão Técnica Permanente de Bem-Estar Animal, por meio da Portaria Ministerial n° 185 para debater ações relacionadas ao tema na produção animal. Participam do grupo representantes das secretarias de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), de Defesa Agropecuária (SDA) e de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI).

Fonte: MAPA
Data: 15/01/2009

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Aumento do custo da ração é novo obstáculo para as carnes

A lista de preocupações dos produtores do segmento de produção animal, de várias regiões do Brasil, ganhou um item a mais com a notícia recente da redução da safra 2008/09 de grãos. O fato terá como consequência o aumento dos preços da ração utilizada na engorda. Há quem espere elevação de preços do insumo imediata e há, ainda, quem tenha expectativa de que os efeitos virão a partir de junho.

Elevação de custos em um ano cujo cenário em relação à demanda ainda é incerto e pode sofrer oscilação, por conta dos reflexos da crise global, está deixando produtores da cadeia animal sem saber a melhor maneira de planejar o ano que vem pela frente. A aposta, diversas vezes, será feita no escuro.

É o exemplo de pecuaristas confinadores de diversos estados. Para muitos deles, embora não haja data exata para isso, os três primeiros meses do ano são um período crucial para decidir o tamanho da safra. “Estamos no meio de um processo de decisão. A época é essa”, afirma Juan Lebrón, diretor da Assocon, que representa 47 confinadores de seis estados brasileiros, proprietários de 547 mil cabeças de gado.

De olho na cotação da arroba do boi gordo indicada pelos mercados futuros, muitos confinadores planejam agora o tamanho de sua safra, ou seja, a quantidade de bois magros ou animais mais jovens que serão adquiridos para a engorda e posterior comercialização, além do volume de insumos necessário para a ração. No entanto, os preços futuros não são animadores em um cenário econômico incerto. Não se sabe se essas cotações poderão ou não reagir. O risco sempre existe, mas em 2009 o cenário é mais incerto.

Em outro ramo, o de aves, o produtor catarinense Virgínio Zardo tampouco gostou da notícia sobre a quebra da safra de grãos. “É preocupante sim. Eu já esperava faturar pelo menos R$ 3 mil a menos em 2009, por conta do ajuste de produção devido à crise. A quebra da safra vai encarecer a ração e piorar um pouco o quadro”, conta. Ele espera que o os reflexos do encarecimento dos insumos deverão chegar em junho ou julho.

Zardo conta que já havia aumentado o intervalo de produção entre os lotes, de três para oito dias. A redução da produção foi recomendada por entidades dirigentes do setor logo após o estouro da crise, de modo a evitar excessos diante de um quadro de desaceleração de exportações. Zardo é integrado da Aurora Alimentos e produz cerca de 52,5 mil aves por ano. Ele acrescenta que há produtores integrados que estão cumprindo intervalos produtivos de 30 dias, por não conseguirem atingir as metas de produção desejadas pela empresa.

Já o produtor Érico Tormem, proprietário da Cabanha Chapecó, conta com aumento de gastos com farelo de soja e milho a partir de março ou abril. “Esse tipo de efeito é imediato, quando começam a comercializar a safra de grãos”, comenta. Ele possui rebanho de 750 cabeças de ovelhas e sua forte aposta é no leite.

Confinamento e risco

O que está deixando muitos confinadores no escuro é o fato de os contratos futuros de outubro da arroba do boi gordo na BM&F Bovespa apontarem para valores desanimadores, o que deixa a rentabilidade que está por vir muito próxima dos preços do boi magro. “Os contratos de outubro não estão reagindo por conta do cenário econômico incerto. A diferença entre o preço do boi magro adquirido hoje e a cotação do boi gordo no mercado futuro é de apenas R$ 2. A rentabilidade é baixa, não fecha a conta”, avalia Lebrón, da Assocon. Diz o dirigente que a diferença ideal deveria de ser de, no mínimo, R$ 10. Em 2008, chegou a R$ 20.

“Eu particularmente acho que essa diferença entre preço de boi magro e do boi gordo vai aumentar e alcançar entre R$ 10 e R$ 12. O boi deve chegar a R$ 90 na hora da venda efetivamente. Acontece que as decisões têm de ser tomadas agora, no escuro”.

Ontem, os contratos futuros de outubro de 2009 apontavam para R$ 81,90 a arroba. À vista, segundo a Scot Consultoria, em Araçatuba (SP), valia R$ 82 a arroba. A Assocon acredita em queda de volume do confinamento em 2009. A entidade iniciará levantamento no mês que vem. Em 2008, o País confinou 2,8 milhões de cabeças e a Assocon foi responsável por 650 mil cabeças desse total.

Os produtores de proteína animal (bovinos, suínos e aves) estão preocupados com o aumento no preço da ração causado pela quebra de safra.

Érica Polo

Fonte: DCI - Diário do Comércio & Indústria
Data: 15/01/2009

7 comentários às 10:44 admin


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