A Carne não é fraca Bom tempo para reforma de pastos

Coréia do Sul vira prioridade para exportadores de carne

13 de Novembro de 2008 às 14:48 admin  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 217

São Paulo - Os frigoríficos exportadores esperam fortalecer sua presença na Ásia em 2009, contando com a abertura do mercado da Coréia do Sul para a carne bovina industrializada, além de acreditarem na resolução dos entraves em torno dos embarques do produto in natura para a China. Cinco plantas exportadoras obtiveram habilitação do governo chinês para a comercialização direta em 2008, porém não estão sendo liberadas as licenças de importação.

Somadas essas expectativas com as da recuperação do mercado europeu e a reabertura do Chile, os exportadores de carne bovina acreditam que no próximo ano as vendas possam ficar em patamares superiores ao do faturamento projetado para 2008, que é de US$ 5,7 bilhões - US$ 1,2 bilhão a mais em comparação à receita de 2007.

“Considerando que a recuperação do mercado europeu é um grande objetivo para 2009, não seria impossível ampliarmos nossas vendas em US$ 1,5 bilhão no ano que vem”, disse ontem Roberto Gianetti da Fonseca, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Sobre a abertura da Coréia do Sul, a informação partiu do diretor executivo da entidade, Luiz Carlos de Oliveira. “As conversas estão em andamento e há chances de exportarmos carne bovina industrializada para a Coréia do Sul no próximo ano”, disse.

O site da Abiec indica que houve exportação de industrializados para a Coréia do Sul, no entanto, Oliveira afirma que se trata de um mercado oficialmente fechado para o produto nacional e que, inclusive, já solicitou a revisão desses dados.

A Coréia do Sul importou 320 mil toneladas de carne bovina de outros países em 2007, somando in natura e industrializada. Esse volume representou 7,76% do comércio global de carne bovina. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e foram fornecidos pela Corretora Planner. Segundo o analista Peter Ho, da corretora, a Coréia do Sul é um mercado importante e estratégico para o Brasil. “Embora a Coréia do Sul não compre grande volume é um mercado significativo. E para o Brasil seria um novo nicho para garantir remanejamento da produção, além de fortalecer a presença na Ásia”, comenta. Hoje, o maior comprador da carne bovina industrializada brasileira são os Estados Unidos, que enfrentam crise e onde pode ocorrer certa desaceleração de demanda.

Os principais fornecedores do mercado coreano são Estados Unidos, Austrália e Argentina, porém há problemas com a oferta. Os norte-americanos exportam para a Coréia com restrições por conta de problemas com vaca louca no passado e a Austrália reduziu oferta por problemas climáticos, de acordo com Ho.

Acumulado do ano

Até outubro, os frigoríficos exportaram 1,2 milhão de toneladas de carnes, o equivalente à receita de US$ 4,6 bilhões. Em valor, o resultado foi 26% superior ao de igual período de 2007 e, em volume, houve queda de 12,5%, segundo a Abiec. O principal motivo da redução dos volumes exportados foi o problema junto aos europeus, por conta da rastreabilidade bovina. Somente em outubro, o País exportou US$ 549,5 milhões e 124,5 mil toneladas - 33,8% maior e 7,28% a menos, respectivamente, do que no mesmo mês do ano passado. Para a Rússia, principal mercado de destino, houve queda de 41,6% nos volumes vendidos, com faturamento de US$ 103,5 milhões em outubro deste ano. A crise financeira global impediu que muitos importadores conseguissem crédito para internalizar o produto. “O efeito da crise de crédito foi grave, mas não deve ser permanente. O governo russo já interveio no sentido de melhorar o fluxo de crédito no país. Até o final do ano deve estar normalizado”, acredita Gianetti.

No que diz respeito à Europa, a expectativa é de recuperar vendas e chegar perto dos patamares exportados em 2007. Até outubro deste ano, o Brasil exportou 80 mil toneladas para os europeus, recuo de 77% em comparação com igual período do ano passado. Segundo Gianetti, os europeus estão habilitando rapidamente as fazendas brasileiras que podem vender animais para atender sua região consumidora. “Eles têm necessidade da carne brasileira, o custo de produção lá é muito alto, os contribuintes já não querem mais pagar por isso. Os europeus estão discutindo a redução dos subsídios muito abertamente.”

Com a conquista de novos nichos e o fato de alguns concorrentes estarem enfrentando problemas, como é o caso dos exportadores dos Estados Unidos, há chances de o Brasil ampliar seu market share no comércio global de carnes, hoje de 33%.

Érica Polopriscila Machado

DCI - Diário do Comércio & Indústria
Data: 12/11/2008

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