Arquivo de Setembro de 2008

MS estuda maneiras para amenizar crise em frigoríficos

O governador André Puccinelli determinou, ontem durante reunião com representantes de pequenos e médios frigoríficos, que seja formada uma comissão para discutir propostas para solucionar a crise no setor em Mato Grosso do Sul. “O prazo é de 30 dias para que legalmente se encontre uma sistemática para auxiliar a classe. Amanhã, a comissão já começa a estudar as alternativas. Se possível, tentar encontrar uma solução esta semana”, afirma Puccinelli.

A diretoria da Assocarnes, associação formada há dois meses por pequenos e médios frigoríficos, abatedouros e distribuidores de carne, entregou um documento ao governador, mostrando a situação de crise pela qual passa o setor e reivindicando uma alíquota diferenciada do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o preço da carne para o mercado interno. “Não há como diferenciar sem infringir a lei, isso não é permitido”, explica o governador.

A associação alega que os frigoríficos de grande porte, além das exportações, estão competindo também no mercado interno, oferecem preços menores, inviabilizando, desta forma, as pequenas e médias empresas do ramo. Em alguns casos, conforme a Assocarnes, a situação está grave e há ameaças de fechar as portas. “Eu quero ajudar sob a ótica do desemprego, para que esses empreendimentos não fechem. A compensação para o Estado será a manutenção e até a ampliação dos empregos oferecidos”, ressalta Puccinelli.

A comissão será formada por três representantes da secretaria estadual de Fazenda (Sefaz): o secretário Mário Sérgio Lorenzetto, o secretário-adjunto Gilberto Cavalcante, o superintendente de Administração Tributária, Gladiston Riekstins de Amorim, além de três representantes dos pequenos e médios frigoríficos, que serão escolhidos pelos empresários.

A matéria é site MS Notícias, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

Fonte: Beefpoint
Data: 30/09/2008

71 comentários 30 de Setembro de 2008 às 12:54 admin

Incra contesta multas por desmate e lista de desmatadores

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, disse que já contestou todas as multas aplicadas pelo Ibama aos oito assentamentos incluídos na lista dos 99 maiores desmatadores do Brasil. E culpou o modelo econômico aplicado no campo pela derrubada da Amazônia.

“O maior desmatador do Brasil é o modelo econômico da agricultura e da pecuária. Mato Grosso é um mar de soja. Tem crime ambiental por todo o Estado”. Hackbart disse que todos os oito assentamentos do Incra foram criados entre 1995 e 2002. Seis deles abrigam, cada um, mais de mil famílias; dois, 549 cada um. Disse também que o Incra considera as multas absurdas, anunciadas numa hora muito imprópria.

“Vão servir para ataques à reforma agrária. É triste o País discutir a reforma agrária como o maior desmatador da Amazônia”, disse. Hackbart afirmou que embora as multas tenham sido aplicadas nos últimos quatro anos, referem-se a ocorrências de 1999 e 2000. “Pode ser que uma delas se baseie em 2006, mas nem o Ibama nem o Ministério do Meio Ambiente fizeram qualquer esclarecimento sobre datas”.

Rolf Hackbart afirmou ainda que toda terra desapropriada pelo Incra para a reforma agrária tem desmatamento e áreas degradadas. “Essa é uma das exigências feitas antes que a terra seja desapropriada, a de que não cumpre uma função social. Só depois é que se inicia a recomposição ambiental da área”. Ele chegou a afirmar que as coordenadas geográficas de uma das fotos de satélite feitas pelo Ibama para multar o Incra por desmatamento não batem com nenhum dos assentamentos. Acredita que a foto pertence a outro local.

Para o presidente do Incra, se tem assentados desmatando ilegalmente a floresta, eles devem ser punidos. “Esse é um recado que deixo para eles. Não é para desmatar. O Incra fez acordos com o Tribunal de Contas da União (TCU) e com o Ministério Público para recuperar áreas degradadas e florestas nativas em 15 Estados”.

Ele deu como exemplo os assentamentos de Santa Catarina. “Todos têm sustentabilidade ambiental”.

Hackbart mostrou-se indignado com a divulgação da lista dos 99 maiores desmatadores. “O que me surpreende é que exista desmatamento nas unidades de conservação do governo federal, nas terras indígenas. Nós tivemos de fazer acordos que nos obrigam a recuperar áreas degradadas. Nunca tivemos orçamento. Hoje temos. E estamos com mais de 500 pessoas trabalhando nos projetos de recuperação de florestas derrubadas”.

João Domingos

Fonte: O Estado de São Paulo
Data: 30/09/2008

18 comentários às 12:50 admin

Commodities despencam com ‘pânico’

O pânico generalizado do mercado internacional em torno da crise que abala os Estados Unidos derrubou os preços do petróleo, principal formador das cotações das commodities agrícolas, e provocou um efeito em cascata principalmente nos negócios futuros com a soja, que fecharam no limite de baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). As cotações do papel com entrega para janeiro, o que tem maior liquidez, fechou a US$ 11,10 o bushel (27,2 quilos), queda de 5,9% em relação ao último pregão.

‘Não houve nenhum fator fundamental (oferta e demanda) que motivasse as perdas. A explicação está na queda do petróleo’, afirma Flávio França Júnior, analista da Safras & Mercado. Para ele, parte do nervosismo foi causado pela rejeição do congresso americano ao pacote de ajuda aos bancos.

A oleaginosa é o principal item agrícola exportado pelo Brasil e desde 1 de agosto, quando a crise americana começou a se intensificar, acumulou queda de 18% no mercado internacional. A princípio, o recuo nos preços começou a preocupar os sojicultores brasileiros quanto à rentabilidade da próxima safra, que segundo estimativas dos analistas precisava de preços no patamar dos US$ 14 o bushel para ser viável. À época, os preços do mercado interno, que são formados pela Bolsa de Chicago, acompanharam o movimento internacional e despencaram na mesma proporção. No entanto, a forte valorização do dólar frente o real nos últimos meses está mudando o clima de incerteza no setor.

Roberto Tenório

Fonte: Gazeta Mercantil
Data: 30/09/2008

Adicionar comentário às 12:47 admin

Rastreabilidade começa a dar ganhos para os pecuaristas

Confinadores paulistas começam a ver o retorno dos investimentos que fizeram há alguns anos para implementar o sistema de rastreabilidade nas fazendas - Eras (Estabelecimentos Rurais aprovados no Sisbov). “Agora que a União Européia apertou o cerco na exigência dos detalhes sobre o rastreamento, veremos os resultados dos investimentos que fizemos há cerca de três anos para rastrear os animais.

Os frigoríficos terão de repassar os ganhos para quem produz corretamente. Não acontecia assim antes”, diz Alberto Pessina, proprietário da Agropecuária Pessina, no interior de São Paulo. “Algumas empresas compravam o gado, rastreado ou não, pelo mesmo preço. Havíamos investido e não víamos a vantagem disso”. Pessina espera que sua propriedade seja inclusa na lista de propriedades aptas a fornecer gado tipo exportação para o mercado europeu a partir da próxima semana. O pecuarista espera receber prêmio entre 15% e 20% sobre o valor de mercado. A propriedade possui 6 mil cabeças.

Um exemplo de quem já está na lista de exportadores aptos em São Paulo é o do Grupo Walter de Biasi, de Novo Horizonte, interior de São Paulo. Dois confinamentos do grupo estão entre as três fazendas que estrearam na listagem e, recentemente, venderam gado com prêmio de 15,5% sobre a arroba. Ambos devem fornecer mais de 16 mil cabeças em 2008. Segundo Roberto de Biasi, um dos diretores do grupo, os primeiros negócios saíram a R$ 104/arroba, em dia cujo valor no mercado equivalia a R$ 90/arroba em São Paulo. “Concordo que veremos retorno do investimento feito no Sisbov agora, mas acho que será temporário. Ocorrerá até que aumente o número de fazendas aprovadas no estado”, comenta de Biasi. “No entanto, acho que ainda vai demorar um pouco para que isso aconteça. As exigências são realmente muitas. Não dá para ser 99% bem feita, a rastreabilidade tem que estar 100% ajustada, o nível de detalhamento é absurdo”. Biasi lembra que, quando o Sisbov começou a ser exigido, o que houve no mercado foi a depreciação do preço da arroba para quem não rastreava. “Nos disseram, na época, que quem implementasse o sistema teria ganhos de R$ 2 por arroba, no entanto, o que aconteceu foi a perda de R$ 2 para quem não implantou o Sisbov”, complementa.

Números do estado - Até ontem, a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado de São Paulo contabilizava 160 solicitações de propriedades interessadas em passar por auditorias e ganhar o sinal verde para constar na listagem européia. Outras 39 já passaram por auditoria e seus dados serão encaminhados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo a Secretaria, a expectativa do órgão é de que os paulistas forneçam, em 2008, pelo menos 100 mil cabeças para os europeus. O estado possui 1.053 propriedades Eras. Segundo explicou recentemente o secretário de Agricultura do estado, João Sampaio, as fazendas passam por vistoria do conselho estadual. O conselho é composto por quatro técnicos da Delegacia Federal de Agricultura do Mapa, em São Paulo, e por três técnicos da Secretaria de Agricultura do estado. As reuniões do conselho ocorrem duas vezes por mês, de maneira a que as propriedades que estejam com tudo funcionando à risca, dependendo de quando for feita a vistoria, possam rapidamente estar inclusas na lista do Mapa a ser entregue aos europeus posteriormente.

O Mapa entrega uma nova listagem a cada final de mês. A meta da Secretaria do estado é de que vinte propriedades paulistas sejam vistoriadas por semana. Juan Lebrón, diretor da Assocon (representante de 47 confinadores no país), diz que as vistorias estão ocorrendo com agilidade. A expectativa da Secretaria é de que o estado volte a ocupar o antigo status de maior exportador para a região, o que ocorria até antes do embargo, em 2005, por conta de foco de febre aftosa detectado no Centro-oeste do País. Na ocasião, a União Européia parou de importar carne bovina in natura do Brasil. No ano seguinte ao embargo, muitos estados recuperaram a autorização para exportar, exceto São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Ontem, o Paraná teve sua primeira propriedade liberada para exportar para o mercado europeu, o Sítio Pelisson, de Paranavaí. Confinadores paulistas começam a ver o retorno dos investimentos que fizeram para implementar o sistema de rastreabilidade nas fazendas - Eras (Estabelecimentos Rurais aprovados no Sisbov).

Fonte: Jornal DCI, Agronegócios/SP
Data: 30/09/2008

62 comentários às 12:44 admin

Merril Lynch investe em confinamentos brasileiros

A Bravo Beef S.A. surge no Brasil contando com a participação do banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch, apesar da crise pela qual passa o sistema financeiro daquele país.

Segundo Marcelo Michaluá, diretor da RB Capital, o projeto da Bravo Beef existe há pelo menos um ano. No entanto, a compra dos primeiros animais - aquisição essa que já contou com recursos provenientes do banco norte-americano - aconteceu em dezembro passado e o Merrill Lynch formalizou sua entrada na sociedade da empresa há um mês.

A RB Capital e mais cinco confinadores brasileiros são os outros sócios no projeto da Bravo Beef. A RB é uma empresa independente que atua em crédito estruturado e gestão de investimentos nas áreas de agronegócios e imobiliária. A idéia do projeto é atuar na área de recria e engorda de bovinos e, futuramente, expandir as atividades para o segmento da cria.

Seu rebanho conta hoje com 150 mil animais e a idéia de seus sócios é deter 500 mil cabeças em dois anos. “O projeto consiste em organizar o fornecimento de bovinos para os frigoríficos. A ponta de demanda já está organizada de maneira empresarial, então, vamos trazer gestão empresarial e governança para a oferta”, explica Michaluá.

Na estrutura da Bravo Beef S.A., RB Capital e Merrill Lynch detém, cada um, fatia de 50%. A nova companhia formada. Atualmente, o projeto detém oito plataformas regionais geridas por cinco confinadores parceiros, distribuídas por São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins e Goiás. A intenção é ter 11 plataformas como essas no futuro. O negócio conta com linha de financiamento do Merrill Lynch da ordem de R$ 200 milhões, além disso, a Bravo Beef levanta recursos no mercado de capitais através da emissão de CDCAs (Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio).

Para Michaluá, o banco norte-americano foi atraído pelo projeto por conta do potencial brasileiro no mercado global de carnes. “O Brasil se tornou o maior exportador de carne bovina do mundo e tem potencial para suprir as demandas de diversos países”, finaliza.

O banco Merrill Lynch, que enfrenta sérias dificuldades com a crise financeira nos Estados Unidos, está a todo vapor no Brasil - acaba de fechar acordo com a Bravo Beef, de confinamento de bovinos, para a qual liberou uma linha de crédito de R$ 200 milhões, e definiu participação de 50% na empresa, tendo como sócio a RB Capital, da Rio Bravo.

A matéria foi publicada no jornal Diário do Comércio, Indústira e Serviços (DCI), resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

Fonte: Beefpoint
Data: 29/09/2008

37 comentários às 12:33 admin

Minerva deve comprar empresas de alimentos embutidos

O frigorífico Minerva estuda a entrada no mercado de produtos industrializados, por meio da aquisição de empresas que produzem alimentos embutidos. A idéia seria agregar valor à carne bovina in natura, para diversificar os investimentos do grupo sediado em Barretos, no interior de São Paulo. Segundo o superintendente de Relacionamento com Investidor, Ronald Aitken, o Minerva já está avaliando algumas empresas com atuação regional e de administração familiar, mas com marcas já consolidadas no mercado. “Não falamos em nomes por enquanto, mas em seu segmento, com seus produtos, as marcas são mais fortes que uma Sadia ou Perdigão”, disse Aitken.

A estratégia de entrar no mercado de produtos industrializados e diversificação de investimento está relacionada com a parceria feita pelo Minerva com grupo irlandês Dawn Farms, uma das maiores indústrias processadoras da Europa e com forte atuação no mercado de food service. As duas empresas formaram um joint venture em que cada uma possui uma participação de 50% da Minerva Dawn Farms e vai inaugurar na segunda quinzena de outubro uma planta frigorífica, em Barretos, com capacidade de processamento de 3 mil toneladas de proteína animal por mês.

A nova empresa deverá faturar US$ 200 milhões anuais a partir do segundo ano de atividade e atenderá o mercado de food service nacional, utilizando a tecnologia e know-how da Dawn Farms, além dos clientes já atendidos pelo grupo irlandês na Europa. “Essa é uma empresa totalmente independente do Minerva e já está estruturada para dobrar de tamanho em um ano, caso seja necessário”, afirma Aitken.

Diante da estratégia da empresa, o segmento de produtos industrializados, incluindo a futura aquisição e o food service, irão representar 25% do faturamento do Minerva até 2011. No segundo trimestre de 2008 a receita bruta da empresa foi de R$ 620,5 milhões, desempenho 78,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Com esse resultado, o faturamento do Minerva no primeiro semestre do ano foi de R$ 1,12 bilhão, resultado que supera em 61,2% o desempenho dos seis primeiros meses de 2007.

Com a entrada no mercado de produtos industrializados, o objetivo do frigorífico é manter o foco na carne bovina, diferente do que fazem alguns de seus concorrentes, mas diversificar a atuação. Até o momento, a maior parte do faturamento do Minerva se concentra na comercialização de carne bovina in natura. No segundo trimestre do ano, 82% da receita da empresa foi proveniente da carne in natura vendida no mercado interno ou exportada. A exportação de gado vivo representou 10% do faturamento do grupo no período, 5% vieram de negócios com couro e 3% da revenda de produtos de terceiros.

Além dos investimentos em produtos industrializados, Aitken não descarta a possibilidade de novas aquisições no mercado de produto in natura. “Olhamos para todas as empresas e nas oportunidades que surgem. Precisamos continuar com nosso processo de diversificação geográfica, já que ainda não estamos em Estados importantes, como o Mato Grosso”, disse o executivo. Para ele, levando em consideração o fato de a empresa ter m perfil mais conservador de investimento, o arrendamento de unidades de abate seria o caminho a ser seguido, diferente de outras empresas que estão comprando outros frigoríficos.

Alexandre Inacio

Fonte: O Estado de São Paulo
Data: 29/09/2008

20 comentários às 12:22 admin

Carne bovina: Coréia do Sul libera importação de mais 18 frigoríficos dos EUA

Com a nova aprovação, 47 plantas estão autorizadas a embarcar seus produtos para o país asiático.

Estados Unidos e Coréia fecharam em julho um acordo para retomar o comércio de carne entre os dois países, com a liberação inicial de 29 processadoras americanas.
O acordo foi alcançado apesar da mudança de postura da Coréia em relação a um acerto anterior, pelo qual os EUA poderiam embarcar carne de animais mais velhos. Em vez disso, os coreanos aceitaram importar apenas carne de animais novos, com menos de 30 meses - nascidos após a proibição do uso de farinha animal nas rações. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) acabou aceitando os novos termos.

A Coréia do Sul suspendeu as importações de carne bovina dos EUA em dezembro de 2003, quando o primeiro foco da “doença da vaca louca” (encefalopatia espongiforme bovina) foi descoberto no país. O embargo foi parcialmente suspenso em 2006, com a liberação de cortes sem osso e de animais com menos de 30 meses. Contudo, sucessivos embates sobre a presença de fragmentos ósseos nos embarques acabaram fechando novamente o comércio. Pelo novo acordo, a Coréia mantém a restrição de idade, mas aceita importar carnes com ossos. As informações são da Agência Estado.

Fonte: Portal DBO
Data: 26/09/2008

58 comentários 26 de Setembro de 2008 às 11:06 admin

Pecuária faz demanda de equipamentos crescer

O desempenho especialmente positivo do setor de carnes se reflete nos negócios da indústria de máquinas e equipamentos. Empresários do ramo prevêem um acréscimo de 20% no faturamento em 2008, em comparação com o ano passado. Para 2009, a tendência é de permanência da trajetória de crescimento. “O mercado vive um bom momento e o Brasil está no centro desse fenômeno”, afirma o superintendente da Brazil Trade Shows (BTS), empresa organizadora da Tecnocarne em São Paulo e da Mercoagro em Chapecó (SC), Marco Antônio Mastrandonakis.

O assessor especial da Sadia, Vincenzo Mastrogiacomo, afirma que 40% a 50% dos investimentos em novos frigoríficos são em equipamentos. “Para montar um abatedouro de frangos, por exemplo, é preciso no mínimo R$ 100 milhões em maquinário”, afirma. O executivo, que foi membro da comissão central organizadora (CCO) da Mecoagro, feira que ocorreu na semana passada em Chapecó, ressalta o crescente investimento na indústria de carnes no Brasil e o ingresso dos grandes grupos internacionais País, como o Tyson Foods, que anunciou na semana a aquisição de três empresas avícolas brasileiras, duas delas em Santa Catarina. “O Brasil se destaca no mundo por ter área para plantar, produção recorde de aves, suínos e bovinos e fornecedores com produtos da mais alta tecnologia”, diz.

Segundo Marco Antônio Mastrandonakis, a edição da Mercoagro deste ano mostrou que os contratos internacionais de vendas ficaram inabalados com a crise nas bolsas de todo o mundo. Durante os quatro dias do evento foram fechadas transações da ordem de US$ 150 milhões. Outros US$ 200 milhões foram agendados para os próximos seis meses. Mastrogiacomo diz que 55% dos negócios envolveram o mercado interno e 45% compradores de países visitantes. Máquinas, equipamentos e implementos representaram cerca de 70% das vendas.

A proprietária e gerente comercial da Frinox Equipamentos Industriais, de Chapecó, Lurdes Weirich, afirma que geralmente não fecha contratos com os compradores durante as feiras, mas nesta edição da Mercoagro vendeu todos os equipamentos expostos, o que somou mais de R$ 600 mil em produtos. A Frinox fabrica máquinas para abate de aves, que abrem e limpam moelas e depenadeiras. A empresa está há quatro anos no mercado, faturou R$ 12 milhões em 2007 e neste ano vai dobrar a receita. “Lançamos a Frinox na Tecnocarne em 2004 e hoje vendemos para todo o Brasil, para Sadia, Cargil e Perdigão, entre outros pequenos clientes, e no exterior, na Venezuela, Paraguai e Argentina”, diz Weirich. Durante a feira, a empresa fechou contratos com clientes do sul da Europa e, segundo a empresária, a meta é atingir 20% do faturamento com exportações até 2010.

A High Tech Equipamentos Industriais, de Chapecó, que produz equipamentos para frigoríficos prevê faturamento de R$ 20 milhões em 2008, 20% superior ao do ano passado. Segundo o diretor Geral da High Tech, Gerson Maffi, do faturamento total, 20% é exportado.

Juliana Wilke

Fonte: Gazeta Mercantil
Data: 26/09/2008

70 comentários às 11:04 admin

Bovinos: 55 propriedades em MT

O Comitê Técnico da União Européia (UE) ampliou de 46 para 55 o número de propriedades mato-grossenses habilitadas a exportar carne bovina in natura ao mercado europeu dentro das normas da rastreabilidade. Assim, Mato Grosso passa a contar agora com 25 municípios com propriedades credenciadas a exportar carne à Europa.

A nova lista da UE aponta o município de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) com o maior número de propriedades habilitadas no Estado (oito), seguido de Araputanga, Pedra Preta e Poxoréo (todos com cinco), Juscimeira (quatro) e, Barra do Bugres e Pontes e Lacerda, com três propriedades. Com duas fazendas habilitadas aparecem os municípios de Jaciara, Quatro Marcos e Vila Bela. Os demais municípios possuem uma propriedade liberada pela UE.

De acordo com o responsável pela área do Sisbov da Superintendência Federal da Agricultura em Mato Grosso (SFA/MT), Guilherme Reis Dias, as liberações ocorreram após auditorias realizadas pelos técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em conjunto com o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea). O resultado da auditagem foi encaminhado ao Comitê Técnico da UE, que disponibilizou a nova lista de Mato Grosso.

Guilherme Dias informou que novas liberações deverão ser anunciadas pela União Européia na próxima semana. “O produtor interessado em participar deste mercado deve adequar sua propriedade às normas da rastreabilidade e, em seguida, procurar sua certificadora e solicitar a vistoria. Por último, deve solicitar auditagem do Mapa visando à habilitação para a União Européia”, lembrou. Para ele, a medida da UE ampliando a lista de propriedades habilitadas é muito importante para Mato Grosso, pois os pecuaristas têm interesse em exportar para esse mercado.

As restrições da União Européia às propriedades rurais de Mato Grosso são relacionadas à rastreabilidade, ou seja, o monitoramento do trânsito dos bois, do nascimento ao abate. Em novembro do ano passado, algumas fazendas e frigoríficos apresentaram inconformidades que foram relatadas por veterinários da União Européia, em missão oficial.

Segundo o Mapa, a participação dos exportadores no processo de rastreabilidade é fundamental para garantir a segurança do sistema.

EXIGÊNCIA - O Sisbov, sistema prevê um rigoroso controle de certificação do rebanho, que envolve a identificação dos animais e o seu registro por um período mínimo de 90 dias na base nacional de dados do Mapa. A rastreabilidade apresenta duas alternativas para o produtor: implantação dos brincos ou adoção dos chips eletrônicos para a identificação dos bovinos.

Guilherme Dias explicou que o resultado da auditagem passa pelo crivo de uma comissão estadual do Sisbov (Sistema de Rastreabilidade de Bovinos) e em seguida é encaminhada ao Mapa, em Brasília. Lá é feita uma nova avaliação para posterior envio da documentação à Comissão Veterinária da UE, que dá seu parecer final sobre a liberação.

A auditoria nas propriedades dura em média dois dias e envolve, entre outras atividades, a análise de controles de rastreabilidade das fazendas, levantamento do número de animais e de brincos, manejo sanitário, insumos e, principalmente, a identificação dos animais, confrontando as informações com o banco de dados do Sisbov. Este procedimento dura de 30 a 60 dias.

Guilherme Dias lembrou que a rastreabilidade é exigida apenas às propriedades interessadas em exportar carne in natura para a União Européia.

Marcondes Maciel

Fonte: Diário de Cuiabá
Data: 26/09/2008

10 comentários às 11:01 admin

Países ricos buscam terras férteis para além de suas fronteiras

A Arábia Saudita não tem rios ou lagos permanentes. As chuvas são escassas e não confiáveis. O cultivo de cereais só é possível por meio de projetos caros que esgotam os reservatórios subterrâneos. As vacas de leite precisam ser resfriadas com ventiladores e máquinas que as borrifam com um spray de água. Em suma, esta não é uma nação que normalmente seria associada à agricultura de grande escala.

Mas isto poderá mudar em breve. Estimulado pelas rendas resultantes da alta do petróleo e preocupado com a segurança alimentar, o reino árabe está vasculhando o globo em busca de terras férteis, em uma busca que levou autoridades sauditas ao Sudão, à Ucrânia, ao Paquistão e à Tailândia.

O plano saudita é implementar no exterior projetos de grande escala que mais tarde envolverão a participação do setor privado para o cultivo de grãos como o milho, o trigo e o arroz. Assim que um país for selecionado, cada projeto poderá ser instalado em uma área com mais de 100 mil hectares - o que equivale a dez vezes a superfície da ilha de Manhattan - e a maior parte das colheitas será exportada para a Arábia Saudita.

Embora os planos da Arábia Saudita estejam entre os mais grandiosos, eles refletem o interesse crescente em tais projetos por parte de países que têm capital sobrando e que importam a maior parte dos seus alimentos. Os Emirados Árabes Unidos estão olhando para o Cazaquistão e o Sudão, a Líbia quer arrendar fazendas na Ucrânia e a Coréia do Sul tem planos para investir na Mongólia. Até mesmo a China - que tem muita terra cultivável, mas que carece de água - está fazendo investimentos agrícolas no sudeste da Ásia.

‘Esta é uma nova tendência associada à crise global dos alimentos’, explica Joachim von Braun, diretor do Instituto Internacional de Pesquisas de Políticas de Alimentos, com sede em Washington. ‘Atualmente, a força dominante é a segurança das reservas de alimentos’.

Alarmados pelas restrições comerciais impostas pelos países exportadores - como a contenção das exportações de arroz por parte da Índia, o cancelamento das remessas de trigo ucraniano e a imposição de pesadas taxas sobre as exportações da soja argentina -, os países importadores perceberam que a sua dependência do mercado internacional de alimentos torna-os vulneráveis não só a disparadas abruptas dos preços, mas também à interrupção das remessas que abastecem as suas reservas.

Como resultado disso, a segurança alimentar ocupa o topo da agenda política desses países pela primeira vez desde a década de 1970. ‘A crise de alimentos fez com que soasse o alarme para que todos os países busquem terras para assegurar os seus suprimentos de produtos agrícolas’, diz Abudullah al-Obaid, vice-ministro da Agricultura da Arábia Saudita.

Von Braun, ecoando a opinião de dezenas de outras autoridades entrevistadas pelo ‘Financial Times’, diz que a confiança no mercado internacional de alimentos está se desvanecendo. Pela primeira vez desde o início da década de 1990, quando o comércio de produtos agrícolas aumentou drasticamente, muitos países estão começando a achar que não é prudente depender das importações agrícolas. ‘Os importadores estão nervosos e perceberam que é mais recomendável que tenham uma participação em países com potencial para exportações agrícolas’, diz von Braun.

Com o aumento do consumo global de alimentos, em grande parte devido à demanda por dietas ricas em carne nas economias emergentes, o desafio de alimentar populações em crescimento em países como a Arábia Saudita aumenta a cada ano. Os preços dos cereais caíram um pouco, após atingirem o seu ápice no início deste ano, mas eles ainda são o triplo da média registrada nos últimos dez anos.

A segurança alimentar é o principal fator para cada plano de investimento na agricultura no estrangeiro. Durante uma recente viagem pela Ásia Central, Khalifa bin Zayed, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, observou que é necessário assegurar suprimentos. ‘Os Emirados Árabes Unidos estão cogitando implementar alguns projetos agrícolas no Cazaquistão como parte dos seus esforços para desenvolver fontes estáveis de alimentos para as suas necessidades’, afirmou Zayed.

Para países ricos em terras cultiváveis e água, mas que possuem pouco capital, tais planos também poderão fazer bastante sentido. Os campos de trigo da Ucrânia, por exemplo, produzem menos de três toneladas por hectare, apesar de o país contar com um dos solos mais férteis do mundo e com chuvas abundantes. Isto está muito abaixo da produtividade dos Estados Unidos, que é de cerca de 6,5 toneladas por hectare, obtida em condições não tão favoráveis. Porém, mais tratores, uma quantidade bem maior de fertilizantes, técnicas melhores e sementes de alta produtividade poderão modificar esta situação.

Lennart Bage, presidente do Fundo Internacional para Desenvolvimento da Agricultura, das Nações Unidas, em Roma, afirma que durante muito tempo a terra foi considerada menos importante do que o petróleo ou os depósitos minerais. ‘Mas agora a terra fértil com acesso a água tornou-se uma vantagem estratégica’, diz ele.

Alguns países compreenderam o potencial desse recurso. O Sudão, por exemplo, está tentando atrair pelo menos US$ 1 bilhão em capital para o seu setor agrícola junto a grupos de investimentos árabes e asiáticos. O Ministério do Investimento está divulgando a implementação de 17 projetos de grande escala que ocuparão uma área de 880 mil hectares.

Meles Zenawi, o primeiro-ministro da Etiópia, também está entusiasmado. Após ter recebido uma delegação agrícola saudita duas semanas atrás, ele afirmou: ‘Nós dissemos a eles (os sauditas) que estaríamos bastante dispostos a fornecer centenas de milhares de hectares de terras agrícolas para investimentos’.

Mas tais acordos provavelmente custarão caro aos países produtores de alimentos. Por meio de acordos bilaterais secretos, os investidores esperam contornar qualquer potencial restrição comercial que o país anfitrião possa impor durante uma crise.

Para alguns elaboradores de políticas, isto faz lembrar um cenário assustador no qual as safras são transportadas a partir de fazendas fortificadas enquanto moradores locais famintos observam. E ninguém sabe se áreas agrícolas enormes poderiam ser defendidas a exemplo do que ocorre com instalações petrolíferas. Outros observam que a busca por terras ocorre em países nos quais a esfera legal é fraca, e onde a maioria dos agricultores não conta com direitos formais à terra e carece de acessos a mecanismos de compensação.

Os defensores do livre comércio na agricultura também se preocupam com aquilo que consideram tentativas de implementar a produção de alimentos, quando se deveria procurar expandir o fornecimento ao mercado internacional. Ed Schafer, secretário da Agricultura dos Estados Unidos, diz que ficará preocupado caso os investimentos forem simplesmente uma forma de ‘contornar o mercado internacional e os acordos comerciais globais’.

As autoridades agrícolas européias acrescentam que os países mais pobres e que apresentam déficits de alimentos, como aqueles do oeste da África, amargarão os maiores sofrimentos. Incapazes de investir no exterior, esses países serão também os mais vulneráveis à alta dos alimentos em um mercado internacional reduzido.

Instituições multilaterais como o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, que inicialmente encorajaram os investimentos estrangeiros na agricultura como forma de estimular a produção global, estão moderando o seu apoio anterior.

Esta mudança é evidente na postura de Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, que inicialmente descreveu os investimentos estrangeiros estatais como ‘uma iniciativa na qual todos saem ganhando’. Agora um porta-voz do banco afirma: ‘Esta é uma situação que poderá trazer benefícios reais para os habitantes de alguns países em desenvolvimento, mas, para que isso seja sustentável, as compras e arrendamentos de terras precisam beneficiar, e provar que beneficiam, todas as partes envolvidas, incluindo os cidadãos do país anfitrião, as comunidades e os investidores locais’.

Uma mudança semelhante pode ser observada em Jacques Diouf, diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação. Ele inicialmente defendeu ‘acordos de joint-ventures entre, de um lado, aqueles países que contam com os recursos financeiros e, do outro lado, aqueles que possuem terras, água e recursos humanos’.

Mas agora ele está advertindo para os riscos de um sistema agrícola ‘neocolonial’. ‘Algumas negociações entre os países anfitriões e os investidores gerarão relações internacionais desiguais e uma agricultura mercantilista de curto prazo’, alerta Diouf.

Bage concorda que poderá haver problemas: ‘Estamos falando de alguns países anfitriões nos quais existe pobreza e fome generalizadas, e temos que garantir que as populações locais desfrutem integralmente dos benefícios dessas iniciativas’.

Por exemplo, no Sudão - um país visado por quase todos os investidores do Golfo Pérsico - o Programa Mundial de Alimentos, a agência da ONU que lida com emergências alimentares, está sustentando 5,6 milhões de pessoas. Caso os planos de investimentos sigam em frente, o Sudão, perversamente, poderá exportar comida para países ricos enquanto a sua própria população passa fome.

As autoridades chinesas, que apóiam a política expansiva de Pequim para assegurar commodities como petróleo e metais na África, parecem estar conscientes dos perigos potenciais. Embora Pequim tenham firmado acordos nas Filipinas e em Laos, e tenha desenvolvido alguns projetos pequenos na África - em sua maioria ‘fazendas de demonstração’ que ensinam técnicas agrícolas aos moradores locais -, a China parece ter pouco apetite por investimentos agrícolas de grande escala no exterior.

‘Tem muita gente passando fome na África’, explica Xie Guoli, agente comercial do Ministério da Agricultura da China. ‘Dá para exportar os grãos para a China? Os custos serão muito altos, e os riscos também’.

Não obstante, algumas companhias privadas chinesas estão buscando investimentos na agricultura, embora as autoridades afirmem que estão se concentrando na Ásia Central e não na África. Pequim parece temer menos os potenciais conflitos em países como o Cazaquistão, nos quais os custos de transporte também são mais baixos.

As autoridades da área de agricultura e alimentos da ONU também temem o potencial para a corrupção, devido à fragilidade da governança em vários países africanos e da Ásia Central.

Elas sugerem que os investimentos deveriam ser regulados por uma estrutura similar, no que diz respeito ao objetivo, à da Iniciativa pela Transparência nas Indústrias de Extração, um arranjo que obriga os países ricos em recursos a divulgar os pagamentos feitos às companhias e as receitas governamentais derivadas do petróleo, do gás e da mineração.

A Iniciativa pela Transparência nas Indústrias de Extração ajudou a conter a corrupção nos setores petrolífero e de mineração. Mas uma estrutura similar para a agricultura poderia exigir meses de negociações, e os países que têm déficit de alimentos estão com pressa. Enquanto as autoridades ocidentais discutem os riscos e as salvaguardas, a Arábia Saudita e outros países parecem querer arrendar terras antes da chegada da próxima temporada de plantio.

Javier Blas e Andrew England

Fonte: Financial Times
Data: 25/09/2008

44 comentários às 10:45 admin

Publicações anteriores


Minhas Publicações Recentes

Publicações por Mês

Estatísticas

Meta