Arquivo de Julho de 2008

Margen não paga dívida e pode ter problemas

Com problemas causados, principalmente, pela alta do boi gordo e das restrições às exportações de carne bovina à União Européia, o frigorífico Margen deixou de pagar uma parcela que venceu neste mês de uma dívida total de R$ 169 milhões.

Segundo reportagem de Alda do Amaral Rocha e Cristiane Perini Lucchesi, do jornal Valor Econômico, os R$ 169 milhões foram tomados em julho do ano passado e só teriam vencimento em julho de 2010. Porém com a inadimplência (não pagamento de uma parcela) os credores podem exigir na Justiça a quitação imediata de toda a dívida.

A necessidade de pagar toda a dívida agora pode inviabilizar a empresa, o que muitas vezes não interessa aos credores, que ficariam, sem receber os recursos que emprestaram. Segundo apurou o Valor, os credores consideram a possibilidade de transformar a dívida em participação - o que daria a eles o controle da empresa - caso o Margen não consiga quitá-la.

O Margen, que faturou R$ 1,5 bilhão no ano passado, protagonizou junto com o Quatro Marcos um episódio singular em junho deste ano. As duas empresas, afetadas pelo cenário desfavorável no setor, anunciaram uma associação, que criaria a Uni Alimentos. Juntas, chegaram até a falar em planos sobre abertura de capital da nova empresa. Mas a união durou apenas 10 dias. Na época, o Quatro Marcos alegou “diferenças no estilo de gestão” e “na cultura da administração” para o fim da joint venture.

O não-pagamento de parcela de julho agrava a situação do Margen, que em abril passado tinha anunciado a demissão de cerca de 1,5 mil funcionários em suas unidades de um total de 9,5 mil. A empresa alega que as demissões ocorreram pois com os preços elevados do boi, unidades de abate ficaram ociosas.

Segundo apurou o Valor com fontes do setor, recentemente, a empresa passou a atrasar pagamento a pecuaristas e suspendeu operação em três de suas unidades.

Fonte: Beefpoint
Data: 29/07/2008

61 comentários 29 de Julho de 2008 às 18:13 admin

Rebanho: Bovinos podem chegar a 183 milhões

Partindo de uma estimativa atual de 169,7 milhões de cabeças, o contingente de animais pode crescer 7,8% até 2017.

Segundo dados da consultoria AgraFNP, o rebanho bovino brasileiro era de 200 milhões há cinco anos, mas o abate de matrizes pelos baixos preços da pecuária trouxe uma redução no número de animais, que atualmente totalizariam 169,7 milhões de cabeças.

Os números divulgados hoje pela consultoria, através da edição 2008 do Anualpec, mostram que haverá uma reconstituição paulatina do contingente nacional até 2017, atingindo a 183 milhões de cabeças.

A expectativa é de que ocorra um aumento contínuo na capacidade de suporte das pastagens, com a recuperação da produção de carne bovina acontecendo através de ganhos na produtividade, aponta José Vicente Ferraz, diretor da consultoria.

Outra previsão é em relação à área de pastagens, que reduziriam-se em 17 milhões de hectares, também até 2017. A razão estaria na substituição das pastagens por lavouras, com a abertura de novas áreas nas Regiões Norte e Nordeste não compensando este avanço.

A participação das exportações dentro da produção brasileira de carne bovina deve aumentar de 28% a 32% no período, em decorrência da elevação dos preços internacionais e os atrativos que geram. Atrelado a isso, a influência das cotações internacionais na formação dos preços internos do boi gordo crescerá ainda mais. Informações Agência Estado.

Fonte: Portal DBO
Data: 29/07/2008

35 comentários às 18:13 admin

OMC confirma fracasso das negociações da Rodada Doha

Folha Online - O diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, reconheceu nesta terça-feira o fracasso do encontro ministerial que teve início no último dia 21 em Genebra (Suíça) para tentar destravar as negociações da Rodada Doha, de liberalização do comércio mundial.

“Essa reunião fracassou”, disse Lamy. “Manterei meu compromisso com um sistema comercial mundial melhor.”

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse estar decepcionado com o resultado de hoje. Ele afirmou não poder acreditar no fracasso das negociações depois de nove dias de trabalhos. “Estou muito decepcionado. Havia dito que as negociações estavam por um fio, e o fio arrebentou. É lamentável”, disse o chanceler.

“Qualquer observador de outro planeta não conseguiria acreditar que depois de todos os progressos que realizamos, não conseguimos chegar a um acordo”, acrescentou.

“Houve várias demandas de diferentes países, dos pequenos e dos médios, dos pobres, para fazer uma nova tentativa. Talvez eu seja ingênuo, mas me coloco entre os que consideram que valeria a pena tentar”, afirmou Amorim, visivelmente abatido.

“É incrível que tenhamos fracassado por causa de apenas uma questão”, destacou, referindo-se ao mecanismo de salvaguarda para as importações agrícolas, que opôs até o fim americanos e indianos. “Os grupos de interesses protecionistas vão analisar o que fizemos, e farão valer seu ponto de vista.”

As negociações entraram em colapso nesta terça-feira, depois que EUA, Índia e China não conseguiram chegar a um acordo sobre tarifas de importação para o setor agrícola.

Sem um acordo final, a União Européia (UE) não terá de oferecer maior abertura para seus mercados agrícolas para a produção dos países emergentes –estes, por sua vez, não terão de abrir seus mercados de produtos industriais e de serviços para as empresas dos países ricos.

O debate sobre a abertura de mercados agrícolas e as reduções de tarifas e subsídios ganharam visibilidade nos últimos meses devido à crise dos alimentos dos últimos meses em todo o mundo. Os países mais pobres alegam que os subsídios nos países ricos distorcem os preços no mercado global e impedem o desenvolvimento de sua produção.

Desacordos

No centro da discordância que levou ao resultado anunciado por Lamy hoje estão EUA, Índia e China, que já vinham trocando acusações nos últimos dias. A representante comercial dos EUA, Susan Schawb, disse que “um punhado de países emergentes comprometam o delicado equilíbrio (…) Na sexta-feira [25] havia espaço para um desenlace bem sucedido; não era perfeito, mas era delicadamente equilibrado e contava com um forte apoio”, afirmou. “Infelizmente, um punhado de mercados emergentes decidiram fazer novas reivindicações.”

Um tom acima, o diplomata americano David Shark disse ontem que a Índia e a China colocam em perigo o sucesso da rodada, por terem rejeitado a primeira proposta de acordo feita por Lamy. “Infelizmente, uma grande economia emergente, a Índia, rejeitou imediatamente o projeto [de Lamy], após o que outra grande economia emergente, a China, se afastou dele. Suas ações colocaram em perigo toda a rodada.”

O ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, disse que os EUA “tentam favorecer seus interesses comerciais, eu tento proteger a vida e a segurança dos agricultores [indianos].”

O governo da China, por sua vez, rejeitou os argumentos americanos em defesa da redução de subsídios ao algodão deve estar vinculada à queda de tarifas de países em desenvolvimento, segundo a agência oficial de notícias Xinhua. “Recentemente, ouvimos certos argumentos absurdos de que a diminuição pelos EUA de subsídios ao algodão que distorcem o comércio dependerá da redução ou inclusive eliminação de tarifas sobre o algodão aplicadas por países em desenvolvimento, incluindo a China”, disse o chefe de assuntos da OMC do Ministério do Comércio da China, Zhang Xiangchen.

“Todos sabem que os subsídios que distorcem o comércio na OMC são ilegais, enquanto as tarifas são medidas legais de proteção (…) Os subsídios extremamente elevados do algodão outorgados pelos EUA causam graves danos aos produtores de algodão de países em desenvolvimento, incluindo os da África e os 150 milhões da China”, comentou.

Fonte: Folha Online
Data: 29/07/2008

53 comentários às 18:11 admin

Mapa capacita técnicos do Indea em Mato Grosso

Buscando uma melhoria no sistema de rastreabilidade bovina (SISBOV), o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) estará capacitando técnicos de nível superior (médicos veterinários e engenheiros agrônomos) do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), entre os dias 28 e 30 de julho de 2008. Serão 24 horas de treinamento, incluindo aulas teóricas e práticas em campo. A capacitação será realizada por auditores do Mapa e do próprio Indea, treinados anteriormente por auditores da União Européia.

Desta forma os técnicos serão habilitados a identificar, de maneira padronizada, os pontos observados nas auditorias da União Européia. Durante o treinamento serão abordados os temas referentes à Legislação do SISBOV, Estrutura Organizacional do SISBOV, Planos de Auditoria, Acesso a Base de Dados (BND), entre outros.

As auditorias das certificadoras e dos seus respectivos Eras (Estabelecimentos Rurais Aprovados pelo Sisbov) serão realizadas pelos fiscais federais agropecuários do Mapa e dos serviços veterinários estaduais treinados. Através de auditorias anteriores já foram habilitadas 12 propriedades à exportação de carne “in natura” a países membros da União Européia. O aumento do número de técnicos treinados possibilitará uma maior agilidade nos processos de auditoria e de inclusão de novas propriedades.

Fonte: 24 Horas News
Data: 29/07/2008

33 comentários às 18:08 admin

Boi gordo em alta no Mato Grosso do Sul

Primeiro foi São Paulo. E ontem, 28 de julho, as cotações do boi gordo voltaram a subir no Mato Grosso do Sul, graças ao achatamento das escalas. O preço referência, nas regiões de Dourados e Três Lagoas, passou a ser R$88,00/@, a prazo, para descontar o funrural.

De forma geral, o mercado dá mesmo sinais de que está voltando a trabalhar em ambiente firme. Além da dificuldade na compra de animais terminados, o atacado está em alta. Foram registradas correções positivas de R$0,10/kg para o traseiro, o dianteiro e a ponta de agulha.

FTR

Fonte: Scot Consultoria
Data: 29/07/2008

57 comentários às 18:07 admin

MT: Imea aponta ociosidade de 47% nos frigoríficos

Um relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) mostra que a ocupação da capacidade instalada dos frigoríficos do Estado sofreu uma forte queda neste ano. A ocupação que era de 72% em julho do ano passado recuou para 53% no mesmo período deste ano.

Na prática, significa dizer que a ociosidade das indústrias frigoríficas de Mato Grosso que era de apenas 18% no início da entressafra do ano passado passou de 47% neste ano.

A oferta menor de animais é apenas um motivo para o aumento da ociosidade mato-grossense e não é a principal. “O rebanho do Estado caiu cerca de 2%, devido ao abate de matrizes nos anos de crise, mas isso não explica uma redução tão grande no uso da capacidade instala”, afirma Seneri Paludo, superintendente do Imea. De acordo com Paludo, a demanda dos frigoríficos por boi gordo está menor, já que as empresas também não conseguem fazer repasses no produto vendido aos varejistas.

Dentro desse cenário o superintendente do Imea tira duas conclusões. A primeira é de que a culpa pelos preços elevados da carne não pode ser atribuída ao pecuarista. Segundo Paludo, nos últimos cinco anos os preços da arroba subiram 82%, enquanto os custos tiveram uma alta de 87%. “Essa valorização recente das cotações da arroba é apenas uma recomposição das perdas do setor”, disse.

A segunda conclusão é que os elevados preços que a carne bovina está alcançando podem levar a uma queda no consumo e migração para outros tipos de proteína, como frango, suínos e peixes. “Existe uma preocupação que haja uma mudança no perfil de consumo, o que pode ser muito ruim”, afirma.

As informações são da Agência Estado.

Fonte: Beefpoint
Data: 28/07/2008

66 comentários às 18:05 admin

Aftosa: OIE começa a avaliar novos dados sobre MS

Os primeiros resultados são esperados para terça-feira, 29.

Em maio, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), reconheceu como área livre de febre aftosa com vacinação nove estados brasileiros (BA, ES, GO, MT, MG, PR, RJ, SP e TO) e o Distrito Federal. No entanto, os técnicos ponderaram sobre a falta de informações quanto aos trabalhos realizados no Mato Grosso do Sul e assim solicitaram um relatório complementar.

As novas informações foram remetidas pelo Ministério da Agricultura (MAPA) e começaram a ser analisadas nesta segunda feira, 28, em Paris, pela Comissão Científica da OIE. A sinalização sobre a recondução do status sanitário do Estado deve ocorrer amanhã, segundo o Seprotur, órgão do governo do estado.

Fonte: Portal DBO
Data: 28/07/2008

20 comentários às 18:03 admin

Doha está “por um fio”, diz Amorim

Após oito dias de intensa barganha, as negociações da Rodada Doha de abertura comercial estão “por um fio”, admitiu ontem o chanceler brasileiro, Celso Amorim. Com a aproximação do abismo, a troca de acusações entre os países se tornou aberta. A lista de divergências ainda é considerável, mas o maior obstáculo no caminho de um acordo global de comércio é a insistência dos indianos em aumentar a proteção a seus agricultores.

Para desobstruir o processo, as discussões foram divididas em pequenos grupos, enquanto Brasil e Austrália tentavam apresentar soluções para o impasse. Passava de 2h em Genebra (21h em Brasília) quando Amorim deixou a sede da OMC, confirmando que as conversas estão à beira do colapso.

Num sinal adicional do estado sombrio das negociações, a OMC inverteu o cronograma das reuniões para hoje, marcando para a parte da tarde a assembléia dos 153 membros da entidade, que costuma acontecer de manhã. “Não há progresso a reportar”, disse uma fonte próxima às discussões.

O porta-voz da OMC, Keith Rockwell, classificou a situação de “muito tensa”. Ele contou que, depois de 12 horas de discussões em torno de várias propostas para dissipar a divergência, “nada garantia um desfecho bem-sucedido”.

Foi o ápice de uma escalada de pessimismo que já havia deflagrado uma ácida troca de acusações durante o dia. O primeiro disparo foi dado pelos EUA, que culparam Índia e China pelo impasse. Os dois maiores emergentes reagiram, afirmando que os países ricos é que deveriam ser responsabilizados devido à relutância em abrir seus mercados agrícolas.

Os americanos afirmaram ter “engolido” concessões e acusam chineses e indianos de pôr o acordo em risco ao rejeitar o pacote de soluções proposto na sexta pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. “Há um risco real ao equilíbrio delicado obtido na sexta”, disse a representante do Comércio dos EUA, Susan Schwab.

O Brasil aceitou imediatamente a proposta de Lamy, distanciando-se de aliados como Argentina e Índia, que consideraram insuficientes as concessões dos países ricos e excessivas as dos emergentes.

Os chineses, que no dia anterior haviam endurecido sua posição ao afirmar que não aceitavam reduções de tarifas sobre arroz, açúcar e algodão, responderam à acusação dos EUA. “É um pouco surpreendente que os EUA estejam apontando culpados neste estágio”, disse o embaixador chinês na OMC, Sun Zhenyu.

Para os chineses, o nó da questão é a relutância dos EUA em fazer mais cortes em seus subsídios agrícolas além do teto anual oferecido, de US$ 14,5 bilhões. Mas Índia, China e outros emergentes querem mais, argumentando que o valor ainda é duas vezes o volume atual.

Sob pressão, a Índia jogou a culpa de volta para os americanos. Kamal Nath, o ministro indiano do Comércio, disse que aceitou uma nova proposta sobre o SMM (Mecanismo de Salvaguarda Especial, na sigla em inglês), que daria mais proteção aos pequenos agricultores dos países em desenvolvimento, mas os EUA a rejeitaram.

A negociação, que hoje entra em seu nono dia, três dias a mais que no plano original, tem sido um teste para negociadores, lobistas e jornalistas, em jornadas intensivas que chegam a durar 18 horas. “Tem sido uma montanha-russa emocional”, desabafou a comissária européia de Agricultura, Mariann Fischer Boel.

Fonte: Folha de São Paulo
Data: 28/07/2008

1 comentário às 18:02 admin

Pecuária moderna sem desmatar

Nosso rebanho decresceu 1,4%, segundo os dados preliminares do Censo 2006 no mesmo período, o que, obviamente, indica o aumento de nossa produtividade.

O Brasil superou a Austrália - não somente por motivos climáticos-, e os Estados Unidos - pelo fechamento do mercado asiático -, mas o setor cresceu com competência e consolidou esta liderança, hoje com margem considerável sobre os seus concorrentes.

As exportações americanas apresentaram, em 2007, a maior taxa de crescimento, junto com Índia e Argentina, mas não ameaçam a liderança brasileira por motivos de limitações políticas, culturais e geográficas.

Entre os cinco maiores importadores mundiais, os Estados Unidos, a Rússia, o Japão, a União Européia e o México, estamos atualmente fora do mercado americano e japonês para carne in natura, com sérias restrições da UE, e vivendo uma lua-de-mel com a Rússia.

O precedente de ter perdido, embora temporariamente, a UE, que é responsável pela compra de 18% da exportação da nossa carne in natura e reúne os países que mais pagam pela carne brasileira, representando 32% do faturamento da nossa exportação, dificulta ainda mais a entrada da nossa carne nos mercados de maior valor agregado.

CENÁRIO - A próxima grande barreira que enfrentaremos, sem dúvida, depois da rastreabilidade, será o meio ambiente e o desmatamento.

As tendências de crescimento da carne bovina brasileira estão sendo relacionadas com o aumento das taxas de desmatamento, levando a discussão para argumentos emocionais e enviesados, ignorando os aumentos de produtividade do nosso segmento, inclusive na região amazônica.

Na grande maioria dos âmbitos ambientalistas, as questões sobre o Brasil tratam do relacionamento entre a produção rural e a conservação ambiental. Dos principais assuntos discutidos com maior intensidade, destacamse aqueles que associam a carne brasileira às mudanças climáticas, ao aquecimento global, à Amazônia, seu desmatamento e à nossa expansão no mercado inter nacional.

É necessário admitir, de forma definitiva, que mecanismos econômicos não podem ser deixados de lado para resolver o problema e fazer cumprir a legislação ambiental, e que os instrumentos utilizados até agora para preservar a floresta foram ineficientes.

Não há outro caminho a não ser a criação e a adoção de instrumentos e mecanismos econômicos, que remunerem os produtores, responsáveis pelas atividades voltadas à manutenção e conservação da Amazônia, por meio da valorização tributária da floresta em pé e projetos com incentivos fiscais para exploração sustentada de uma parte da reserva legal obrigatória.

PADRÕES - O desmatamento da Amazônia está ligado, em primeiro lugar, à exploração de madeira exportada e comercializada aqui e no exterior. A pecuária entra posteriormente, nestas áreas, como única atividade que viabiliza uma exploração econômica, mas longe de padrões de uma pecuária moderna.

O ritmo do desmatamento será seguramente diminuído com uma ação fiscalizadora e repressora, com regularização de venda nacional e internacional de madeira e estimulando o aumento de produtividade pecuária e a atividade agrícola em áreas já desmatadas.

Há necessidade de reconhecer que a viabilização da atividade agropastoril, respeitando as normas ambientais legais em parte do bioma amazônico, precisa encontrar uma solução definitiva, madura e real para os Estados da Região Norte do País.

O impasse atual com a União Européia mostra, mais uma vez, o notório despreparo dos governos para agir frente a crises comerciais internacionais, inclusive no setor pecuário. Nos últimos anos, a forma como foi negociado o Sisbov com a UE no governo passado, a desinformação com focos de febre aftosa no Paraná, o descredenciamento de São Paulo para exportação para UE na primeira gestão deste governo, as incoerências sobre a lista de fazendas certificadas e as divergências entre o Mapa e o Itamaraty sendo citadas na imprensa internacional deixam claro a falta de norte certo e a fragilidade de todo o sistema.

EMBATE - Vamos retomar as exportações, mas os irlandeses preparam o segundo embate e teremos desdobramentos com as questões ambientais. O setor precisa construir a sua própria agenda no que se refere à área ambiental para não ser novamente atropelado por exigências desprovidas de base científica, que têm impacto negativo sobre o preço da arroba do boi gordo.

Precisamos cobrar das lideranças o fim de reuniões intermináveis recheadas de vaidades para trabalhar pela definição do zoneamento ecológico-econômico da Amazônia e de todo o Brasil, sem o qual aumentarão ainda mais as pressões internacionais sobre a pecuária. Liderança impõe responsabilidades, antecipar tendências, assumir posicionamento e postura para não ser atacado nas nossas fraquezas pelos nossos concorrentes.

Nelson Pineda

Fonte: A Tarde On Line
Data: 28/07/2008

67 comentários às 17:59 admin

Terceiro leilão do “boi pirata” termina sem lances

Terminou há pouco, sem sucesso, a terceira tentativa do governo de leiloar os mais de três mil bois apreendidos na Amazônia, durante a Operação Boi Pirata, realizada em junho na Estação Ecológica da Terra do Meio, no Pará. Mais uma vez, não houve lances.

Para o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama, os fatores que atrapalharam a comercialização dos bois, nas duas outras tentativas, foram o preço – no último leilão, aberto em 21 de julho, o valor de todos os lotes somados foi de R$ 3,1 milhões, R$ 800 mil a menos que no primeiro leilão –, o custo do transporte do rebanho devido à localização, e o anúncio, feito por políticos da região, de que a retirada do gado não seria pacífica.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou, agora, que o lance inicial do leilão foi mantido por determinação do corregedor geral da Justiça Federal da 1ª Região, Olindo Herculano de Menezes. Ele entrou com agravo de instrumento contra a proposta do instituto de reduzir em 60% o valor inicial após reavaliação de custo operacional para a retirada do gado da área. Segundo ele, o gado estaria abaixo do preço de mercado.

Morillo Carvalho

Fonte: Agência Brasil
Data: 28/07/2008

24 comentários às 17:58 admin

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